terça-feira, 11 de maio de 2010

falência


não te preocupes
deixei de fumar.
(queimei os lábios com o teu lume
não posso deixar arder os dedos...)

não te preocupes
já não bebo.
(afoguei o sorriso nas palavras
não devo confundir papéis velhos com poemas...)

não te preocupes
(sei que o não fazes)
é que para ti
o tabaco carbonizou o estio
deixando o fruto apodrecer na semente
já para mim
o vinho menstruou os sentidos
estourando as têmporas do animal louco.

deixei de procurar
morrer é muito mais que um golpe de ilusionismo
de um deus que saldou o amor.

35 comentários:

  1. Meu caro este acabou por uma bofetada...

    Muito bom mesmo

    abraço

    ResponderEliminar
  2. se não sempre, pelo menos há momentos em que a escrita é a lavagem da própria alma... umas vezes sorri-nos, outras arremessa-nos contra paredes de pedra, lembrando-nos de que na vida também gememos... e, oh, se gememos...
    um abraço, juan das palavras certeiras!

    ResponderEliminar
  3. Ufa!! Jorge, na lavagem da tua alma, sou inundada por esta torrente de palavras e versos que me encantam os sentidos...


    Também gosto muito de Kandinsky,
    e muito, mesmo, de ti!

    um beijo

    ResponderEliminar
  4. Bela e singular construção, meu caro! Destaco:

    "já para mim
    o vinho menstruou os sentidos
    estourando as têmporas do animal louco."

    - Um achado poético!

    Atenciosamente,
    Lou

    ResponderEliminar
  5. quero deixar de fumar, jorgíssimo. ta fueda! rs

    mas me queimar na sua poesia, é um trem danado de bão, como dizemos la em minas.

    venho aqui, entupir meus pulmões com a sua poesia.

    abração procê.

    desde new jersey... capital mundial de frank sinatra.

    ResponderEliminar
  6. falência múltipla dos órgãos e dos sentidos: a paixão é avassaladora. em versos então ela impõe metáforas, e carrega em vocábulos uma pipa de desilusão. Dói ler a dor mas é prazeiroso. Grande abraço poeta.

    ResponderEliminar
  7. Tenho passado por um momento muito feliz, mas não estou acostumada a isso.
    Sinto agonia em seus posts e gosto disso.
    Os melhores escritos surgem do desespero (na minha visão) e confesso que essa minha 'alegria' tem me bloqueado muito...
    Não sei se é pior ficar sem escrever ou ficar sem amar.
    Confesso que sinto falta de escrever (mesmo sendo bobagens sem muito objetivo).
    Bjk

    ResponderEliminar
  8. é bem verdade, andrea, é a poesia o melhor desinfectante da alma... através dela se despredem as manchas, as nódoas, as linhas do tempo... o receio maior é deixá-la escorrer água abaixo junto da parafrenália de sujidade que na sua superfície se incrustou... é, ainda assim, um risco que estou disposto a correr.
    um abraço!

    ResponderEliminar
  9. lou, obrigado pela visita e pela simpatia das palavras.
    um abraço!

    ResponderEliminar
  10. primeiríssima pessoa, deixo-te aqui uma baforada de amizade; deixei de fumar (na verdade, nunca fumei :)), mas a locomotiva ainda é a carvão. e dela não abdico (à revelia de Quioto :)).
    um abraço, sinatra das palavras!

    ResponderEliminar
  11. assis, aquele que mesmo nos comentários doma a mais selvagem das palavras, tornando-a corcel dançante ao lado das giestas campestres.
    um abraço, poeta!

    ResponderEliminar
  12. "não sei se é pior ficar sem escrever ou ficar sem amar."
    nem eu, sophia... nem eu...
    um abraço!

    ResponderEliminar
  13. A falência da própria vida que queima os lábios, os dedos, as palavras, os sorrisos e que insiste na revolta e desilusão!
    Bjinho

    ResponderEliminar
  14. uma forma de enriquecer os solos é queimando a terra. depois da combustão, eles fortalecem-se e despertam para novas colheitas... que importa quem ateou o fogo?
    um beijinho, sombra!

    ResponderEliminar
  15. Uia, adorei as figuras de estilo! E a mensagem final encerrou a mensagem com chave de ouro.
    :)
    gostei *_*
    beijinhos

    ResponderEliminar
  16. obrigado pela visita e pelas palavras, sarah!
    um beijinho!

    ResponderEliminar
  17. Cheio de sal e mar revolto, adorei como sempre!

    ResponderEliminar
  18. Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

    ResponderEliminar
  19. que bom ter-te de novo por aqui, amiga andy! as viagens ganham mais luz, mesmo com o mar permanecendo revolto.
    beijinho!

    ResponderEliminar
  20. É muito bom quando te metes poesia adentro....
    Beijo

    ResponderEliminar
  21. a poesia toca tanta gente, magnólia, que se torna impossível resistir ao seu apelo... tu sabe-lo bem, pois também ela corre no teu sangue.
    um beijinho!

    ResponderEliminar
  22. Prémio para o "viagens de luz e sombra"!

    ResponderEliminar
  23. Eu tambem parei de fumar e de beber,
    vamos ver até quando irá durar.

    ResponderEliminar
  24. Amigo Jorge
    Fico meio sem palavras ante o teu escrito.
    Onde procurá-las? Na cartola que utilizas para tuas mágicas...
    Lindíssimo!!!

    Forte abraço, amigo.

    PS- Tua visita muítíssimo me alegrou...

    ResponderEliminar
  25. Oi *-*
    desculpa pela demora, tava sem tempo =/
    lindo aqui *-*

    volta lá?
    http://drykasales.blogspot.com/

    ResponderEliminar
  26. prémio para o viagens de luz e sombra. amiga andy? o maior prémio é esta partilha sensível que a todos envolve no abraço de um corpo só. um beijinho e obrigado pela distinção!

    ResponderEliminar
  27. e que dizer eu, então, zélia? como os nossos amigos roberto de lima e pedro ramúcio dizem recorrentemente, é um luxo tê-la por aqui.
    um beijinho!

    ResponderEliminar
  28. olá, dryka!
    se volto lá? nunca deixei de lá ir :). o teu blogue é nosso!
    um aberaço!

    ResponderEliminar
  29. não procurar é essencial, bem o dizes, vanessa. o que é essencial aparece, encontra-se, acha-se, tropeça-se... mas não se procura. o que se procura tem o matiz da emergência, do efémero, até porque, como diz o povo, "depressa e bem há pouco quem".
    um abraço!

    ResponderEliminar
  30. tenho de confessar, sarah: na verdade não fumo e raramente bebo. mas há tanto dióxido de carbono e álcool que consegue entrar na minha corrente sanguínea, ainda assim... valha a poesia, o maior exorcismo de todos :).
    um beijinho e obrigado pela tua visita!

    ResponderEliminar
  31. Sem dúvida é esse o verdadeiro prémio...e o "viagens de luz e sombra" respira e transborda essa partilha! Parabéns. Obg pelo que disseste no meu cantinho. Bjinho!

    ResponderEliminar
  32. A palavra e a paixão que explode, esgota, exaure e se esvai como uma hemorragia. Um poema avassalador.
    Impactante!

    um beijo

    ResponderEliminar
  33. avassaladora a tua capacidade de ver para além das palavras.
    um beijinho!

    ResponderEliminar
  34. Jorge, Jorge. Magnífico poema! Tanta coisa nova por aqui, tanta intensidade, tantas imagens e sons... você é incrível, poeta!

    Beijoca com carinho

    ResponderEliminar