quinta-feira, 29 de julho de 2010

dobra(dura)

wassily kandinsky

era ali
entre o rosto e o mito
que escrevia as suas cartas
com velas nos pulsos
por onde escorria
a seiva negra da solidão

o amor roubou-lhe o alfabeto
e a mão apodreceu
sobre o tecido por terminar

era ali
entre o posto e o dito
que envelhecia as suas cartas
com celas nos punhos
por onde estarrecia
a soma negra da solidão

o amor roubou-lhe o amuleto
e o chão anoiteceu
sobre o terreno por trovejar

(Cris de Souza & Jorge Pimenta)

52 comentários:

  1. Meu parceiro,

    Escrever contigo é um prazer infindo!
    A impressão é que nossas vozes tem o mesmo fundo musical.
    E tudo flui magicamente...

    Beijos cris(tais), amado-amigo.

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  2. este é o segundo exercíco que experimentamos a du(r)as penas, assim como que uma espécie de dobra(dura) que se revelou mais espontânea e natural, inclusive, que a anterior. mas, mais importante que isso ou que o seu resultado é o prazer de cruzar as mãos sobre o oceano num encontro de tinta!
    um beijinho, querida amiga!

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  3. Olá, Jorge.

    Acabei de ler este belo poema no blogue da Cris e aproveitei para conhecer o seu espaço, que também é lindo!

    Estou seguindo-te.

    Beijos,
    Patrícia Lara

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  4. olá, patrícia!
    este ensaio surge de uma colaboração-desafio com a cris que é sempre um prazer renovado. fico muito feliz por te saber por aqui e sobretudo por teres gostado do que encontraste, centésima seguidora (número bem redondo, não? :))
    um beijinho!

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  5. Além da beleza que ficou o poema, Jorge (e Cris)...eis mais poesia:"... o prazer de cruzar as mãos sobre o oceano num encontro de tinta!" Belza pura, Jorge!
    Beijo

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  6. tânia, este blogue tem-me permitido cruzar o oceano como se fosse um mero riacho. e de ambos os lados há tanto para dizer e contar... obrigado pelo teu sempre-presente carinho!
    um abraço!

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  7. Vcs dois são bons demais! Uma escrita de impacto, que nos faz colar os olhos na tela e mal acreditar no que lemos.

    Parabéns aos dois.

    Beijos.

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  8. larinha, arrancas-me o silêncio com essas tuas palavras-rubor...
    fico encantado por teres gostado, maestrina da poesia!
    um beijo!

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  9. Acabei de sentir a essência do arco-íris feito com as cores do amor roubado. Não serão essas as verdadeiras cores de quem conhece a solidão e, mesmo assim,sem alfabeto, trepa pelas palavras "com celas nos punhos"?!

    Este poema a dois é lindíssimo! Revelador de grande sensibilidade e sentido de persistência!

    Adorei!

    Beijinho!

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  10. Oi, Jorge... (Obrigada pelo comentário lá no blogue.)

    É mesmo? Centésima a te seguir?
    Que legal! rs

    Beijos, querido...

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  11. "o amor roubou-lhe o alfabeto"
    que LINDO!
    um encanto...

    beiijo,
    *.*

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  12. Jorge, essas mãos não apenas se cruzam, mas entrelaçam-se com maestria. E o resultado sempre me seduz.

    beijo, querido poeta!

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  13. a tua leitura pespegando as pontas do poema é urdidura de rara beleza, jb. e afinal sempre tinhas razão: há, onde menos se espera, um arco-íris com as cores que nos contornam as linhas do nome!
    um beijo!

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  14. são os alfabetos do silêncio quem verbaliza as emoções, verdade grafite?
    um beijinho!

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  15. andrea, o segredo está nos oceanos que, no dizer de pessoa, aproximam e não apartam... estes nossos ciberespaços-tertúlia são disso sinal inequívoco.
    um beijinho, doce amiga-poeta!

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  16. Jorge querido
    O talento de além-mar e o talento de aquém-mar, de mãos dadas... O resultado é esta beleza de poesia...
    Parabéns aos dois grandes poetas!!!
    Enorme abraço, amigo!!!

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  17. conjunções poéticas e um mavioso resultado, parabéns aos dois


    abraços

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  18. zélia, é sempre especial sentir o teu carinho por aqui.
    um beijinho, amiga!

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  19. Um dueto que ultrapassa as linhas do horizonte...

    Encantada com tão belo poema...


    Grata pelo cavalherismo e elegância poética em meus despertares...

    Maravilhoso final de semana, Jorge.

    Um beijo!

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  20. má, os horizontes inscrevem-se bem para lá da geografia, verdade?
    um beijinho e um agradecimento especial pela tua presença!

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  21. Um exercício lúdico que jamais imaginei fazer. Ficou bom. Ficou belo. Ficou tão íntegro que não imagino quem escreveu o quê.

    Que teu inverno passe.
    Do meu lado, eu agradeço que ele não tenha te tirado o alfabeto.
    bj

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  22. sabes que a primeira vez que a cris me desafiou para um exercício a duas mãos, receei, justamente por me parecer difícil contrariar um certo sentido intimista e egocênctrico da máquina da escrita poética. aos poucos vou desconstruindo essa ideia, sendo certo, todavia, que há franjas de pessoalidade intocáveis, mesmo quando o texto resulta de diferentes mãos.
    um beijinho com baton:)!

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  23. " E de amor se morre? "
    SIM, ACHO QE SIM!
    =/

    "que envelhecia as suas cartas
    ->com celas nos punhos
    por onde estarrecia
    a soma negra da solidão"

    Isso é como olhar no espelho :/

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  24. Nossa que dupla e quem ganha somos nos..

    bjs
    Insana

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  25. sara, a única dúvida no espelho é saber qual é o eu e qual é a imagem reflectida...
    um beijinho!

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  26. ainda bem que gostaste, insana. um agradecimento a duas vozes desde aqui :)
    um abraço!

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  27. As mãos de vocês (magicamente)
    escrevem versos de partida (ao encontro)
    de solidão (enquanto festejos sob o manto
    de duas almas)

    Prazer imenso
    ouvi-los.


    Abraços.

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  28. Jorge

    Permita-me ser o 101º a acompanhar o movimento aqui estabelecido e convidar também você a conhecer o meu espaço:

    www.espacointertextual.blogspot.com

    Voltarei mais vezes.

    Abraço.

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  29. o amor roubou-lhe o alfabeto

    Há coisas que escapam à linguagem...

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  30. domingos, por mais que o tom possa parecer nostálgico, ou mesmo negro, o processo criativo foi um brinde contra a solidão.
    um abraço!

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  31. márcio, honras-me associando-te a este nosso movimento poético que vem cruzando mãos e sensibilidades de proveniêrncias bem distintas. sê bem-vindo!
    um forte abraço!
    p.s. passarei no teu espaço com um gosto imenso!

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  32. há coisas que têm uma natureza supra-linguística, funcionando, elas próprias, como cracks para os mais intrincados códigos.
    um beijo, vanessa!

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  33. Entre as mãos existem códigos sutis que só a cumplicidade pode exaltar. Ao amor tudo se permite sob os ruidos do silêncio.

    Carinho sempre

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  34. Como no origami, teu poema 'dobradura' é arte.
    Parceria e completude.




    P.S.
    Grata pelas palavras e presença tão amiga.

    carinho

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  35. liene, as mãos são o expoente máximo da cumplicidade: é que por elas se cria e se mata (e não me refiro apenas à poesia...)
    um beijinho!

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  36. mai, o teu espaço é ponto de paragem obrigatória; sou eu quem agradece tudo quanto me/nos ofereces.
    um beijinho!

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  37. cristiano e entre frestas, um agradecimento poético pela visita e pelas palavras dispensadas.
    um abraço!

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  38. Olá, desculpe invadir seu espaço assim sem avisar. Meu nome é Fabrício e cheguei até vc através do Blog Teatro da Vida. Bom, tanta ousadia minha é para convidar vc pra seguir meu blog Narroterapia. Sabe como é, né? Quem escreve precisa de outro alguém do outro lado. Além disso, sinceramente gostei do seu comentário e do comentário de outras pessoas. Estou me aprimorando, e com os comentários sinceros posso me nortear melhor. Divulgar não é tb nenhuma heresia, haja vista que no meio literário isso faz diferença na distribuição de um livro. Muitos autores divulgam seu trabalho até na televisão. Escrever é possível, divulgar é preciso! (rs) Dei uma linda no seu texto, vou continuar passando por aqui...rs



    Narroterapia:

    Uma terapia pra quem gosta de escrever. Assim é a narroterapia. São narrativas de fatos e sentimentos. Palavras sem nome, tímidas, nunca saíram de dentro, sempre morreram na garganta. Palavras com almas de puta que pelo menos enrubescem como as prostitutas de Doistoéviski, certamente um alívio para o pensamento, o mais arisco dos animais.


    Espero que vc aceite meu convite e siga meu blog, será um prazer ver seu rosto ali.


    Abraços

    http://narroterapia.blogspot.com/

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  39. Jorge Pimenta, como um escrito a quatro mãos causa uma revolução e tudo é transbordante. Bebo um vinho na leitura e re-leitura por palavras que dançam em luxo literário. É uma explosão, terremoto, e capturo tremores no solo, e com inundações extraordinárias.

    Parabéns aos dois.

    Priscila Cáliga

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  40. caro fabrício, a escrita partilha-se e, nessa perspectiva, quem chega nunca invade; antes saúda, acomoda-se e desfruta da companhia do outro. é o meu caso: rejubilo com a tua chegada. sente-te em casa, fabrício.
    passarei no teu blogue dentro em breve com imenso gosto.
    um abraço!

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  41. priscila, a escrita a quatro mãos transfigura-se na multiplicidade de olhares; cresce, consolida-se e complexifica-se nos caules e nas pétalas de flores que vivem em permanente sede poética pelos canteiros da blogosfera.
    um beijinho e um agradecimento pela visita!

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  42. Seja seiva ou seja soma, a cor da solidão é sempre escura. Sintonia fina, imagens incríveis - perfeito! Abraços!

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  43. Mais um belo produto dessa parceria!- Parabéns aos dois!

    Beijos

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  44. Q versos lindos encontrei por aq!...
    ;) bjs***

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  45. Jorge,
    Andando de blog em blog te achei e, francamente, que grato achado. Um lugar, não só de poemas vertiginosos, mas de inspiração e luz.
    Vi aqui, não só uma bela poesia, mas a generosidade de dois artístas.
    Parabéns! Sigo-te, depois de tudo que senti.

    Grande abraço

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  46. as vossas vozes soam na perfeição!
    difícil escolher as palavras mais belas porque são realmente todas.
    beijinho de parabéns aos dois.

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  47. jorgíssimo,
    postei um comentário há pouco, mas acho que o guga comeu.

    acho corajoso esta experiência de compartilhar a escrita de um poema, misturar no mesmo tacho os ingredientes de cada um.
    no caso de vocês deu certinho.

    beijo grande, poeta que aos domingos se veste de vermelho e vai à pedreira rezar pra são braga.

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  48. queridos amigos, agradeço-vos a presença e as palavras-carinho que sempre me dispensam. a verdadeira poesia não é a do verso; é a que através dele nos toca subcutaneamente.
    um abraço, nydia, lou, gi, ira, andy, robertílimo e juan!
    p.s. robertílimo, na pedreira a ver o vermelho mas com os ouvidos e o coração no encarnado-luz (nome do estádio do benfica :))

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