quinta-feira, 17 de junho de 2010

errância

Fotografia de José Figueira

o malmequer errante
entrega-se às coisas máximas
na berma do peito.

pergunta-me se existe
o amor.

a resposta rasga as veias
e entranha-se no impulso do sangue
queimando-o da raiz até às pétalas,
como o sorriso nos lábios do medo.

nesse dia
não soube o que é o amor.
nesse dia
descobriu o que é morrer.

41 comentários:

  1. Tomara que ele não escute o que lhe indagam ao arrancarem suas pétalas.

    Beijos.

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  2. Barbaro. Nota dez.
    Essas são as expectativas do amor.

    Abs

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  3. Pobre malmequer!

    Para certas coisas, não existem respostas, pois ou já as temos conosco, ou nunca as entenderemos...

    "Como o sorriso nos lábios do medo"... pois é amigo, nem todos os sorrisos são de alegria, embora todas as alegrias comportem um sorriso...:)

    Amei a fotografia de José Figueira, pois azul é minha cor predileta. (Te garanto que não é pelo motivo que você está pensando!...rs)

    Paz e Bem prá você

    Cid@

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  4. que tenha então morrido de amor... na entrega incondicional ao processo do amor que nos alimenta e também nos mata. Quem já se entregou a esse fogo sabe que, depois dele, há uma vida outra.

    belíssimos versos, meu querido poeta!

    beijinho pra ti

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  5. Por isso sempre preferi o bem-me-quer.
    abraço.

    a fotografia é *****

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  6. coisas inevitáveis como o amor e a morte, a dor e o prazer,

    abraço

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  7. "...a resposta rasga as veias
    e entranha-se no impulso do sangue
    queimando-o da raiz até às pétalas,
    como o sorriso nos lábios do medo."

    belíssimo!
    adoro malmequeres, e flores do campo...e recordei-me daquela brincadeira de criança, a "desfolhar" pétalas de malmequer..."bem me quer, muito pouco ou nada" :-)

    Beijinho!

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  8. lara, provavelmente respondem "bem-me-quer/mal-me-quer... ou ama-me/não me ama...
    receio bem que as pétalas, como sísifo escalando a montanha, jamais se esgotem no pólen dos dedos...
    um abraço!

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  9. gilson, viva! há instantes dizia à lara que provavelmente a única resposta que se escuta é bem-me-quer/mal-me-quer. já não sei se a voz dicotómica não cederá lugar à via de sentido única repetida em eco: mal-me-quer/mal-me-quer...
    um abraço!

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  10. azul é a tua cor favorita, cid@... em todo o caso, quer-me parecer que pelas mesmas razões que entre 11/06 e 11/07 vibras igualmente com o verde e o amarelo, não? hehehe!
    um beijinho!

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  11. se é verdade, querida andrea. o fogo do amor que mata, mas que redime, também, numa pira sagrada que exorciza medos, fantasmas, alegorias, bosques, faunos e outras alimárias que povoam a periferia do processo amoroso. quanto à outra vida depois do amor... será?... há fogos que nem os bombeiros conseguem extinguir...
    um beijinho!

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  12. este josé figueira é um poeta das objectivas...
    obrigado, em@.
    um abraço!

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  13. e porque há coisas inevitáveis, ainda mais inevitável se torna erguer os braços à poesia. é lá que tudo se apazigua e revolve (só não sei se... se resolve...).
    um abraço, poetaço!

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  14. também o fiz, andy. tantas vezes... mas há outros rituais campestres que não esqueço: "o teu pai é careca ou cabeludo?", por exemplo. lembras-te? :-)
    um beijinho!

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  15. Oh, malmequer, já dizia Vergílio Ferreira: "O erro é a verdade à espera de vez"! O fogo do amor não morre, podem queimar-lhe as pétalas mas a raíz mantem-se lá!..

    beijinho

    p.s. tenho andado um pouco ausente na escrita mas não na leitura! Até breve!

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  16. sombra,
    é incrível como foste buscar uma das frases que mais marcam a minha relação com a vida. nada é definitivo e mesmo o erro arrisca ser a nova meia-verdade.
    a propósito do fogo (no amor, como em tudo), é incrível como os homens o associam à destruição, quando as suas valências simbólicas estão muito mais próximas da redenção. recordo, por exemplo, as queimadas com o intuito de renovar e reforçar o poder fertilizante das terras. assim é com o amor. definitivamente... sem verdades, só erros (à espera de vez).
    um beijinho!

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  17. Jorge, querido

    Hoje faço diferente: mando-lhe a letra da marchinha Mal-me-quer, de Newton Teixeira e Cristovam de Alencar (carnaval de 1940), gravada pela RCA Victor, por Orlando Silva e lançado em discos 78 rpm

    MAL-ME-QUER

    Eu perguntei a um mal-me-quer
    Se meu bem ainda me quer
    Ele então me respondeu que não
    Chorei
    Mas depois eu me lembrei
    Que a flor também é uma mulher
    Que nunca teve coração

    A flor mulher iludiu meu coração
    Mas meu amor
    É uma flor ainda em botão
    O seu olhar
    Diz que ela me quer bem
    O seu amor
    É só meu, de mais ninguém

    Agora, digo-lhe o porquê disto: quando li seu maravilhoso poema, veio-me à mente o pensamento sobre a perenidade das coisas do amor... No amor, nada é descartável, nada é démodé, nada fica obsoleto. Você, aqui, neste seu belíssimo Errância, feito de versos fortes, modernos, atuais, parte do mesmo lugar de que partiu o autor da antiga e ingênua marchinha. Isso, para mim, é maravilhoso: sinto-me jovem, ou até melhor, atemporal...

    Muito grata, amigo, pelo momento único que me proporcionou com este seu trabalho extraordinário!
    Grande abraço

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  18. Toda pergunta já tem uma resposta.

    Gosto muito de ler-te.

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  19. Voltei só prá dizer que você errou redondamente a respeito do azul...rsrsrs
    Ao contrário do que você deve ter pensado, não sou e nunca fui torcedora do cruzeiro. Eu, e toda a família torcemos pelo Atlético Mineiro (que é preto e branco).
    A história com o azul, deve ter começado bem na infância, pois como tenho os olhos muito azuis, as pessoas me perguntavam, brincando, se eu enxergava tudo em azul...:)

    Então é isso. E no domingo, me faça o favor de torcer pelo meu Brasil, okey?...;)

    Beijinhos

    Cid@

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  20. concordo contigo, querida zélia: nada no amor é fortuito, nada é discricionário, nada é absurdo, nada é descartável ou passível de arrependimento. a essência da existência está na capacidade de nos relacionarmos com as pessoas acrescentando-lhes o que de melhor temos e recolhendo o mesmo delas, sem cobrança ou exigência. é assim com todo o tipo de relações: amor, amizade, companheirismo...
    um beijinho, zélia amiga!

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  21. por isso gosto de sócrates (o grego; não aquele que usurpa o seu nome aqui em portugal e que lhe é o antípoda em pessoa): respondia a uma pergunta com... outra pergunta.
    obrigado, vanessa! também não passo sem te visitar a toda a hora lá no teu divã :-)
    beijinho!

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  22. ena, isso é que foi chutar ao lado. e logo do rival atlético. seria o mesmo que alguém dizer-me que sou do sporting quando o meu coração é vermelho - o do benfica. mil desculpas, porque este é o tipo de lapsos que podem valer uma amizade ou até um casamento, hihihi.
    a propósito, o roberto, amigão do primeira pessoa, é cruzeirista militante, mesmo.
    quanto a torcer pelo brasil: torço, sim e sempre. só o não farei na sexta feira, dia 25/06. aí, até o deco, o pepe e o liedson torcem por portugal, hihihi!
    um beijinho, amiga!

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  23. as vezes eu morro mesmo sem querer saber morrer..

    adorom teus escritos, sempre fala ao meu coração!

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  24. também eu, sarah... também eu...
    um abraço!

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  25. "nesse dia
    não soube o que é o amor.
    nesse dia
    descobriu o que é morrer. "

    sinto me enquadrar de algum modo nisso!

    -
    Gostei do que escreveu, ME li nessas linhas! =)

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  26. Tocante da raiz ao pó !
    (Já sequei tantas vezes...)

    Beijos cris-tais, luso das liras.

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  27. cris, os enigmas do amor e da morte velados nas pétalas das flores são a essência da vida. sejam eles cantados em tom agudo ou grave, sintetizam o mistério da existência. arriscaria que nascemos para amar e ineviatvelmente morrer; ser feliz ou sofrer são apenas franjas periféricas desta síntese primordial.
    um beijinho!

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  28. sara, também me revejo tanto no que escreves...
    abraço!

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  29. Está aí uma boa resposta:

    "a resposta rasga as veias
    e entranha-se no impulso do sangue
    queimando-o da raiz até às pétalas,
    como o sorriso nos lábios do medo."

    Amar também é morrer. ;)

    Beijos

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  30. amar é, sem dúvida, também morrer...
    um abraço, lou!

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  31. Mas, nossa! Que lindo!
    Adorei o blog.
    Virei aqui sempre.

    Beijos, parabéns.

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  33. obrigado, rízia! sê bem-vinda!
    um beijinho!

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  34. O mar assim como seus poemas nos possibilitam mergulhar no desconhecido...

    abraço

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  35. juan, todo e qualquer poema carrega um insondável mistério. é isso que os torna apaixonantes... é isso que torna o ser humano tão especial.
    um abraço!

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  36. Parabéns Jorge....

    Creio que conheceremos o real significado do amor somente a beira da morte.

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  37. se é verdade, thabata...
    um beijinho e um agradecimento pela visita.

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  38. Olá, Jorge.
    Te encontrei algumas vezes já, no Mosaicos - da nossa amiga Cida. Mas foi um comentário seu num poema dela ("Eu")que me trouxe aqui, mas o que me manteve definitivamente, foi a riqueza que encontrei. Adorável este teu lugar.

    Um beijo, boa semana!

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  39. olá, denise. é verdade, sou frequentador assíduo da casa da cid@. pessoa muito especial, sem dúvida. fico contente por teres chegado até aqui e, sobretudo, por teres gostado do que encontraste. passei lá no teu para um olá, também.
    um beijinho!

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  40. Essa tua errância é tocante, Jorge ...se apazigua ou resolve, ainda não sei. O certo é que eu fico parada, estasiada, e quando dou por mim estou ali, perdida em frente à tua última linha.

    Normalmente não leio comentários, mas desculpe, não resisti a estas palavras.
    "arriscaria que nascemos para amar e ineviatvelmente morrer; ser feliz ou sofrer são apenas franjas periféricas desta síntese primordial". Demais!

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