sábado, 4 de dezembro de 2010

miríade

maria valentina

são mais de mil
as lâminas que espreitam
na varanda dos olhos.

debruço-me
sobre o horizonte breve do livro

[o poema nunca escolhe a mão:
deus, homem, poeta ou demónio?]

a única queda que aceito?
a água no seu leito.

são mais de mil
as flâmulas que espelham
na voragem dos olhos.

debulho-me
sobre o horizonte bardo do livro

[o poema nunca encolhe a mão:
ateu, bicho, poeta ou anjo?]

a única veda que aceito?
a alma no seu peito.

(Cris de Souza & Jorge Pimenta)




lhasa de sela, rising

61 comentários:

  1. Jorge, "o poema nunca escolhe a mão...", lindo isso!!
    Tava com saudades daqui :)
    Bjão e um fds super iluminado :)

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  2. são tantas as interseções...

    beijo de cris.tal e pimenta, meu parceirasso!

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  3. (Sinto o gosto doce e cítrico do que escreves
    E gozo quando a poesia penetra na carne.
    ...)
    Meus amores, sou toda olhos neste e nos outros momentos em que, através da poesia, posso tê-los pertinho de mim.

    Agradeço pela existência dos dois. E mais ainda por terem cruzado com a minha!!!

    Beijinhos duplicados...

    P.S.: Adorei a música, Jorginho.

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  4. são mais de mil, mil e uma que é número infinito e circular,


    abraço

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  5. Descendo os olhos pela leitura
    e subindo e subindo com a canção...

    Ah, alado poeta! Deste jeito alcanço o céu rapidinho...
    Tantas asas aqui:
    Os versos
    A voz e expressão de Lhasa
    o efeito volitante desta melodia em todo meu ser...

    Suspirando...

    Beijo de Luz!

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  6. Uma poesia que toca, que encanta...


    Um beijo

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  7. Essa poesia tecida a duas mãos é sempre um deleite para a alma! E o poema nunca escolhe nem encolhe a mão, ainda bem!

    sobre a grécia, que os deuses entendam o recado, pois. Vou deixar que o grito ganhe os céus. Obrigada!;)

    um beijinho, amado poeta!

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  8. Meus amores... como sempre digo, eu nunca sei onde começa um e onde termina o outro, tamanha é a ligação poética que vcs têm!

    ADOREI!

    Amo vcs dois juntinhos... é viagem garantida para belos horizontes.

    Beijinhos nos dois! ;)

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  9. grasi,
    bom reencontrar-te.
    um beijinho e votos de um óptimo fim-de-semana!

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  10. querida cris,
    são miríades de lâminas e chamas a escorrer, nuas, pelo verso. é que as mãos ainda sabem sangrar, as mãos não podem esquecer-se de arder.
    um beijo com cris.tal e pimenta!

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  11. és pólen e mel num traço só (nem mesmo o líquido cítrico escapa à doçura).
    congratulo-me por te ter aqui, congratulo-me com o que nos ofereces lá no teu jardim radioactivo.
    beijinho sentido!

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  12. mil e uma, assis. o número é mágico; a tua poesia também. um luxo ter-te sempre por aqui.
    um abraço amigo!

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  13. ana, menina-da-luz,
    lasha é canto que bem conheces (sei mesmo que este "rising" sobe e desce lá no teu blogue); o escrito é apenas um suspiro arrancado a duas bocas. música? a verdadeira é ter amigos como tu por aqui.
    um beijinho!

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  14. lídia,
    a poesia toca, mas é ela que entumece quando alguém se deixa por ela tocar. obrigado por isso e pela tua sempre tão querida presença.
    um abraço!

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  15. Meu Deus, que dupla, que obra, que encanto!
    Tudo que eu precisava ler neste sábado, meio sexta-feira(não sei a razão de ter acordado hoje com isso na cabeça)...rs...
    Poema encantador!
    Parabéns aos dois.
    Grande abraço , Jorge!
    Grande abraço, Cris!

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  16. querida andrea,
    a poesia não escolhe a mão, mas, neste caso, as mãos foram combinadas :)
    os deuses sabem escutar. por essa razão construíram a sua morada na montanha mais alta da grécia, lá onde o mais ténue dos suspiros rebola como um trovão. o teu grito já lá mora, confirmei-o eu.
    um beijinho com ternura infinita!

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  17. amiga dos silêncios,
    que bom ter-te junto a nós nesta viagem.
    um beijinho!

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  18. o poema não escolhe a mão, o amor não escolhe o coração...rs
    beijos!

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  19. Saudações Jorge,
    belíssima junção de mãos e de olhos,
    talvez o poema não escolha a(s) mão(s), mas quem sabe ele escolha os olhos, de você e da Cris, dela e seus, e as mãos se tornam instrumentos desta manifestação
    uma imagem altamente bonita de cores e de olhares
    o vídeo, de olhares e escutares
    PARABÉNS SEMPRE por estas junções
    Abraços pra vocês

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  20. Um olhar com míriades de leituras...
    ... pelas mãos dos que se debruçam nas palavras e que nelas nos oferecem um leito profundo...
    ... pelas vozes dos que se debruçam nos silêncios e que neles nos oferecem os "diálogos" mais sentidos...

    E este foi mais um "diálogo" que feito poema foi escolhido pela vossa extraordinária forma de escrever!

    Parabéns, a ambos!
    beijinho

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  21. São muitos os personagens, as vozes, e íris que o poeta inventa, mas em seus olhos, miríades são somente aqueles...E o Poeta declara que morreria e que por fim se entregaria, escrevendo a sua inteira rendição.

    Um primor, Jorge! Mais uma bela parceria.

    E Lhasa se foi, mas o seu canto é imortal; assim como o amor que versas nos versos que inventas.

    grande abraço

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  22. Esses encontros são sempre tão lindos!!!
    Bjinhos, Jorge!

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  23. olhares a duas vozes, com as tonalidades do coração.
    adorei
    parabéns a ambos.

    p.s. Lhasa de Sela, a voz, a simplicidade, a beleza

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  24. e o poeta? haverá arbítrio para o poeta?...
    um beijinho, so sad!

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  25. vais, sempre tão meiga e delicada nos teus comentários. obrigado!
    p.s. sobre ilustrações e desenhos pessoais: há imagens que apenas revelam o que queremos revelar; tudo o mais é especulação daquele que lê.
    um abraço sentido!

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  26. jb,
    é mesmo verdade, o que dizes. já alegre [o poeta, não o político :)] cantava que "com as mãos se faz a paz, se faz a guerra"; e quando juntamos ao motor da humanização a voz, o canto, a palavra? imparável se torna o homem e o seu canto, verdade?
    um beijinho, poeta querida!

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  27. mai,
    difícil, por vezes, é despir as vozes, os corpos, os corações de todos aqueles que respiram pelos pulmões do poeta. onde começa a respiração do criador e a do por ele criado? são miríades, sim, miríades em que se envolve e tantas vezes... dissolve. resta o canto, esse manto extenso onde todos os fios são um só. de quem? que importa?...
    um abraço com o coração!
    p.s. lhasa é mesmo imortal, verdade?

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  28. daniela,
    estes encontros são ainda mais lindos quanto permitam reencontros, como este teu, aqui, por exemplo. que bom!
    um beijinho!

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  29. querida andy,
    a experiência poética começa por ser olhares a uma ou duas vozes, mas acaba sempre por ser miradas de vozes incontáveis. miríades, afinal.
    um beijinho!

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  30. zelita,
    que falha a minha. passando em revista as minhas réplicas ao mel dos vossos comentários, reparei que tinha saltado o teu. ah, desatenção imperdoável... ainda assim, arrisco este singelo pedido de desculpas.
    um beijinho com carinho!

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  31. ahhh
    os olhos... o reflexo do que somos!



    bjs meus

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  32. Sempre fantástico, Jorge! Seus poemas são sempre marcantes e essas parcerias, então?! Geniais...

    "o poema nunca escolhe a mão" e a repetição do verso no lugar mais oportuno foi muitíssimo coerente para estabelecermos associação e reter o significado inconsciente do acaso e consciente do ato.

    Beijos e um grande abraço para você e para Cris de Souza!

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  33. Sou toda sentimento quando leio vcs. Demais, meninos, parabéns!

    Beijos.

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  34. Um poema a duas mãos, tão perfeito como um passo de dança.
    O poema não escolhe mão para ser escrito, mas escolhe a beleza para encantar quem o lê.

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  35. peguei emprestados verso seus...

    beijo!

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  36. Que poema... nossa
    sao mais de mil as formas de amor de sofre de viver...

    bjs
    Insana

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  37. acrescento, se me permitem, o poema foge do poeta!
    Boa parceria!
    Beijos para os dois!
    Laura

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  38. Cheguei aqui através do blog lindo da So Sad... Me encantei. Em cada letra que há aqui vivem sentimentos mil...!

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  39. Querido Poeta

    A música imortaliza esta sonata a duas mãos...na alma dos poetas a exaltação do ser
    Como sempre sublime

    Beijinhos
    Sonhadora

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  40. fernand's,
    ah, os olhos! e, sobretudo, o que não vêem... o reflexo maior do que somos.
    um beijinho!

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  41. lívia,
    nenhum poema escolhe a mão, mas a mão ainda define algumas das linhas do poema. e tudo isso entre a consciência e a inconsciência, como bem fazes notar, a propósito das repetições estratégicas.
    sempre fina nas leituras que fazes :)
    um beijinho, querida amiga!

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  42. larinha,
    obrigado a duas vozes :)
    um beijinho, ninfa lírica sem par!

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  43. vanessa,
    também não desejo queda nenhuma. aliás, imponho-me não cair (a única queda admitida é a de água, bem lá do alto da montanha).
    um beijo!

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  44. janaina,
    apesar de tudo, ainda bem que a parceria foi na escrita e não na dança. é que sou conhecido pelo meu "pé-de-chumbo", hehe!
    um abraço!

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  45. leva-os, sim, so sad. os versos, uma vez publicados, emancipam-se, como os filhos na chegada hora de bater as asas. pudesse eu segurá-los...
    um beijo!

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  46. são, sim, mais de mil as formas de amar, insana. e nenhuma se repete noutra ou se viu repetida na anterior... é isso que o torna tão perigoso, mas também tão estimulante.
    um beijinho!

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  47. laurinha,
    de ti o poema não foge nunca. tenho passado no im.possibilidade e a tua verve é verdadeiramente inesgotável. ah, santa inspiração!
    um abraço!

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  48. amiga do sonho,
    acredito que o primeiro homem, antes de ser poeta, era músico. qual das duas formas (poesia ou música) o aproxima mais da virginalidade?
    um beijinho!

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  49. Oi, passando para apreciar sua bela poesia... Desejo uma semana ótima... Beijos com raios de sol!!

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  50. Chego a seu blog após ler o comentário deixado na última postagem da nossa amiga comum, Sonhadora. Admirável o que pensa, Jorge!
    Parabéns pela sensibilidade e clareza de pensamento!
    Quanto ao seu blog é mais um prazer à alma!
    Voltarei para apreciar com calma.
    Tenha uma linda semana.
    Abraços
    Helô Spitali

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  51. Jorginho,

    Passei o domingo e a segunda sentindo o carinho de tua saudação.
    Que bom poder sempre atravessar o Atlântico!!!

    Beijinhos, meu tão querido.

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  52. Jorgito, meu querido

    Os duetos são perigosos, nem sempre há integração, mas vcs dois são simbióticos.
    Qual mão acende, qual apaga. Começo e fim, um todo.
    Lindo!
    Bjão duplicado

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  53. Essa parceria é sempre perfeita: o que vem é coisa boa. E o poema não escolhe a mão: nossa, isso diz tudo.
    Beijão pra vc e saudades,
    T.

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  54. que coisa mais apimentadamente linda!
    de lamber , mesmo!

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  55. Querido Jorge, conjugação perfeita de sentires. Parabéns aos dois poetas. Beijos com carinho

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  56. à maria borges e à eterna apaixonada,:
    agradeço a viagem até este mar de palavras turvas (pelo menos as minhas) e olhares translúcidos (os vossos).
    um beijinho a ambas!

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  57. à pólen, à ira, à tânia, à carla e à rosa-branca, resistentes das vagas furiosas que por vezes não consigo por aqui domar, um beijinho pelo vosso carinho e amizade.

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