terça-feira, 18 de janeiro de 2011

viagem

                                          henri matisse, la joie de vivre

no dia em que te der as mãos
e toda a minha certeza
a casa não será apenas a pedra que nos aquece.
dar-te-ei os livros e as recordações
e todos os mapas do meu corpo
onde a geografia
seja apenas bicicleta em viagem pelo mundo

e tu todas as cidades
e todas as estradas
e todos os telhados
que saberei percorrer
nas rodas dos lábios
e no guiador dos prazeres
[sempre sem travões].

no dia em que te der as mãos
todas as embarcações serão o porto.

no dia que te der as mãos
e toda minha clareza
a casa não será apenas a pena que nos aparece.
dar-te-ei os lírios e as revelações
e todos os meios do meu corpo
onde a grafologia
seja apenas borboleta em viagem pelo mundo

e tu todas as paisagens
e todas as floradas
e todos os terrenos
que sentirei percorrer
nas rosas dos lábios
e no gerador dos prazeres
[sempre sem trovões].

no dia em que te der as mãos
todas as expedições serão o gozo.

(Cris de Souza & Jorge Pimenta)


madredeus, ao longe o mar

75 comentários:

  1. O banquete está posto
    por duas belíssimas almas
    que me adornam o paladar
    com o milagre da Poesia

    (a minha fome prossegue
    e eu me delicio mais,
    mais e mais sorvendo
    cada palavra)

    Abraço forte,
    Jorge Pimenta.

    Beijo carinhoso,
    Cris de Souza.

    Carpe Diem!

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  2. querido amigo e poeta,
    o banquete apenas faz sentido havendo comensais como tu, para quem a poesia é a fome e o alimento em si mesma.
    obrigado, domingos!
    um forte abraço!

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  3. os peregrinos e seus desvarios...

    ecos uníssonos!

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  4. "dar-te-ei os livros..."

    Que alguém diga-me isto nesta vida, rs. Cansada de apenas presentear sem esperar nada em troca.

    Beijos.

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  5. ao longe o mar. o seu eco escuta-se à distância da viagem.
    sempre peregrino da tua poesia.
    abraços, cris-a-tal!

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  6. proposta tentadora, hein, vanessa? :)
    beijos!

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  7. Lindo demais, meu querido Jorge!
    Você e Cris, de mãos dadas, são um caso seríssimo!
    Bravo!!!
    Forte abraço da
    Zélia

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  8. Ai, que fiquei sentida e portuguesa...

    bjs

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  9. Cris e Jorge,

    mas as mãos no dia em que der com razão de águas profundas, que convidante a saltar e do salto trêmulo se consegue atravessar o além do corpo. Das certezas entre lírios e revelações em que o seio e as minúcias são o gozo, sempre ariscadas ante um vale, e das cidades de estradas rigorosas onde o amor é escrito com lençol uno pela fragrância em pena do andares –do quarto o uso do verbo. Sobre os pratos e as taças as leituras vastas, e do riso que fala ponte, num olhar de águia. A brotar na viagem de bicicleta pétalas coloridas, pela geografia as formas curvas que se aumentam, ao todo da beleza crescida e madura. Os lábios nas bordas do morango, com ar de passeios pausados a dizer metáforas – doce acariciar da ponta dos dedos. Os gestos e exclamações, embarcações como porto pelas manhãs exalando o paladar reencontrado das correspondências seladas, ante os vaga-lumes que osculam e não põem gelos, prostra as linhas na copa fronte crepúsculo leitoso no sol enluarado, com borboletear das paisagens e cada gota em sobremesa; beber intenso de leite sob a via láctea – a dança do chapéu florido.

    Ps.: Belíssimo! Uma inspiração, que conduz a vossa leitora por delírios, com íntimo secreto, sementes em brotos.

    Abraços

    Priscila Cáliga

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  10. Olá Jorge!!
    Suas palavras são atrevidas,sensíveis e calorosas no mesmo segundo, num mesmo texto...
    Que poema!!
    Parabéns !!
    Beijos na tua Alma
    Agradeço o beijo louco que me deres no comentário amigo !

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  11. Deus do Céu...!!!

    ... ensina-me a escrever assim cada sentir meu!...
    não me atrevo a dizer mais que... fascinante!!! ... atinges a dimensão desse meu fascinio?!
    ... depois o Mar..., além o Mar..., aqui, bem perto de mim!...
    beijo.

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  12. "No dia em que te der as mãos todas as embarcações serão o porto". Lindo. Uma facada ler isso pra quem apenas sonha e vive triste.

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  13. zelita, um forte abraço para ti também. a tua gentileza é voz que nos percorre a todos.

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  14. ana,
    será que a alma tem nacionalidade? :)
    se existe, e a haver uma alma portuguesa, tem de se fundar numa doce melancolia que alimenta os sentidos, como se na perda e na privação se construíssem todas as estradas que conduzem à completude.
    beijinho com alma!

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  15. Jorge e Cris, quando vocês dão as mãos, o espaço é largo e abraça os corações mais distantes, unindo-os...
    Cada embarcação será um poto...e a grafologia
    é borboleta em viagem pelo mundo: superdemais o poema, amei! Separadamente, são fantásticos. Juntos são igualmente fantásticos.
    Nossa...que lindo!
    Beijos,

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  16. priscila,
    são as mãos que quando se juntam escrevem o poema maior: a própria vida. mas, por que tantas são as vezes em que, sendo elas gémeas, tão difícil é juntá-las, bater uma na outra e fazer acontecer?
    um beijinho!
    p.s. inspiração é mesmo tudo o que escreves, querida poeta. a tua capacidade de gerar sentidos alegóricos é inesgotável.

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  17. lidi,
    as palavras são apenas os sentidos que lhes tributamos. mas, quando com elas discorremos sobre a o amor e as relações, para além de sensíveis e calorosas, como dizes, as palavras têm também de ter atrevimento, verdade?
    amar é, além de tudo o mais, ousadia e atrevimento (ou não fosse o desafio maior que se nos coloca nesta vida).
    beijinho com cálida loucura! :)

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  18. amiga-de-tantos-encantos,
    quem passa no teu blogue percebe a retórica do apelo inicial :).
    oh, o mar aí ao lado (o teu mar) é certamente, a fonte de parnaso maior, verdade? todos os barcos são o porto à tua porta!
    beijos com carinho marejado!

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  19. sonhar, andressa, é a chave para uma vida onde a tristeza seja apenas um dos apeadeiros da viagem. outros se nos depararão, com toda a certeza. e o peito sorrirá da faca que um dia ousou desafiá-lo.
    um beijo com a certeza do que te digo!

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  20. taninha,
    todas as mãos se tocam nesta tertúlia que nos junta em torno da poesia. e o mar torna-se infinito, como a palavra que o navega.
    um beijo e uma flor!

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  21. Gosto de ver vcs de mãos dadas, dupla incrível, e imbatível juntos!

    Beijos de admiração!

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  22. Queridos amigos, Jorge e Cris,

    após ler o poema (duas vezes), pois uma só era pouco, me veio uma palavra à mente, e é ela que eu passo pra vocês: EMBRIAGADOR!
    Assim mesmo, em maiúscula, que é pra vocês verem o tanto que me encantei :)

    Por favor, não soltem as mãos!

    Beijos na dupla

    Cid@

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  23. Cris e Jorge,

    Belíssimo!!

    Esse dia que derem as mãos será tão sublime quanto o que provocaram em nosso imaginário e sentidos por esses escritos a quatro mãos...

    Beijinhos...

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  24. "no dia em que te der as mãos
    todas as expedições serão o gozo."

    esta foi uma das melhores expedições poéticas dentre as quais participei...

    Minhas mãos ficam estendidas, alado poeta...

    Maravilhosa parceria...

    Beijinho de Luz!

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  25. Nossa! Quanta inspiração!Sempre tocando fundo em meu coração, obrigada por isso meu querido Jorge. BJooossss

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  26. outro alumbramento, aliás essas almas juntas desconcertam


    abraço Jorge
    beijo Cris

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  27. Tu e a Cris de mãos dadas deixam a todos nós sem palavras...lindo, Jorge! Beijos com saudade de estar aqui!

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  28. Jorgito, meu poetíssimo!
    Benditas mãos gêmeas, que nesse acorde maior, me fizeram bailar!
    Que toda mulher pudesse viver esses sentires de seus amantes amados.
    Seria eu poeta, no dia em que encontrasse outras mãos aconchegadas as minhas e juntas [sempre sem trovões]construíssimos um país, nas geografias dos corpos e no universo da alma.
    Da dupla, um dos mais brilhantes poemas!
    Parabéns, aos dois.
    Um grande beijo, meu surpreendente amigo poeta

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  29. Vou explicar melhor - embora mamãe tenha ensinado que não deve-se explicar muito que fica pior. Eu costumo presentear muito com livros - em especial, os com dedicatória dos autores. Aliás, eu só dou livros e DVD´s de presente. Também ganho livros de presentes, de vez em quando, claro. No entanto, em proporção muito menor do que aqueles que dou. Mas eu não resisto, quando vejo já estou comprando livros para as pessoas que gosto, esquecendo dessa matemática, rs. Gosto das histórias dos livros, para além das histórias que eles trazem. Quando olho para as minhas estantes eu penso: esse eu comprei, esse eu comprei, esse também. Ah, esse... Olha, ganhei de "fulano-de-tal"! - Só posso dizer isto de 1,657% da minha biblioteca, hahahaha. :) Beijos.

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  30. jorgíssimo,
    escrevi um livro de poemas com um amigo de infância.
    em "colosso ciclone" nenhum dos dois autores assinou seus respectivos poemas, para não suscitar ciumeira, insegurança, competição, aquelas coisas típicas de pós-adolescentes.

    passaram-se mais de 30 anos e eu e meu amigo nunca mais falamos deste livro. às vezes acho que ele nem existiu. rs

    acho válidas demais essas experimentações, mas confesso, no final da leitura, que não consigo distinguir o que é café, o que é leite, dentro do "galão". as identidades se misturam.
    e não sei se isso é bom ou ruim.

    mas aplaudo a generosidade de ambos. e a coragem de inventar, reinventar a partilha. isso é um gesto de amor com quem lê.

    abração desse seu amigo chato, o
    roberto.

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  31. lindo. não só a casca, mas a casca e o conteúdo.


    adorei.
    bjs meus

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  32. nem todas as viagens são sombrias, sem rumo, sem norte, sem porto de abrigo.
    Boa parceria!
    Beijos
    Laura

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  33. se eu disser que só passei para acarinhar meu ritual de passar os olhos nas tuas letras para evitar mau-olhado, ai, como estarei mentindo, seo Jorge...me mentirei todas as ruas de todas as cidades e todas as pimentas então anularei o ritual!...então o que digo? O que dizer-te Jorge, e à Cris)passa-me o link?( diante de tamanha colheita? Bato a cara aqui e bato e bato e bato!...me machuco toda e ainda sei que devo me quebrar mais um pouco em agradecimentos...ai, como me doem tantas conchas tão gords de maravilhas, de viagens e sombras...)como uma concha de dois pode oferecer tanto em luz, sombra e passagens?(

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  34. larinha,
    sempre rendidos à forma como tornas todas as palavras nas mais doces sensações, seja no teu teatro, seja no dos outros.
    beijinho!

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  35. cid@, amiga,
    o texto pode ser ébrio, mas as mãos que o bordaram estavam sóbrias :)
    obrigado pelo carinho!

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  36. risco gratificante é aquele em que as quatro mãos incorrem quando se estendem sob a mesma tinta.
    beijinho, lívia!

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  37. aninha-de-luz,
    ora aí está uma bela imagem para designar o poeta: o expedicionista :); a juntar a outras que me enchem as medidas (o plantador de sonhos é, de todos, talvez o epíteto que mais me toca).
    beijinho imenso!

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  38. giomara,
    se tocou fundo, o mérito não está nas palavras; está no coração que se deixa tocar. e esse é, indelevelmente, de quem lê/sente.
    beijinho e um obrigado!

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  39. assis,
    imensa a tua poesia; imensa a tua cortesia. um agradecimento a duas vozes, paladino lírico!

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  40. daniela,
    que bom rever-te por aqui. eu próprio já viajei pelas águas do teu "fevereiro" na nave das saudades!
    abraço!

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  41. querida amiga ira,
    se a geografia dos afectos tantas vezes não mais é do que efabulação e idealização quiméricas, saibamos torna-la viva na rosa-dos-ventos da poesia. lá, onde tudo é possível.
    um beijo e a chave da garagem para a bicicleta dos trajectos (im)possíveis!

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  42. vanessa,
    sei-o bem. já me tenho deparado com ofertas irresistíveis, lá no luísa, mas a que, infelizmente, não me posso candidatar por não residir em território brasileiro :)
    ora aí está: a questão é a de sempre: a geografia :)
    p.s. "Gosto das histórias dos livros, para além das histórias que eles trazem" - inteiramente de acordo. gosto, para além de oferecer livros, de intercambiar, igualmente, música e bons filmes.
    beijos!

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  43. querido amigo de minas, de jersey e do mundo,
    devo confessar-te que a minha primeira experiência de escrita plural tem já muitos anos, mas numa área totalmente distinta e porventura muito mais compaginável com a natureza do texto: a académica.
    foi há muito pouco tempo que, desafiado pela laura alberto, acedi à experimentação em poesia (ou escrita sensitiva, sei lá...). a amizade com ela e a proximidade de interesses (literatura, cinema, teatro, música, sobretudo) tornou o exercício divertido, muito espontâneo e até algo doido.
    com a cris, dava-se a circunstância de nos conhecermos apenas pela blogosfera, na partilha do que vínhamos escrevendo. e o curioso é que não a conhecendo pessoalmente, fui descobrindo, pela partilha poética, alimentada pela alternância das vozes, dimensões do sentir, do pensar e do agir que nunca foram verbalizadas em discurso directo.
    mesmo correndo o risco de desvirtuarmos a essência da escrita lírica, estou convencido de que a experiência é amplamente gratificante, tanto do ponto de vista da produção, em sentido estrito, quanto do crescimento humano.
    nem tudo é mau neste universo cibernético, verdade?
    um grande abraço!

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  44. Jorge.

    Não há musa na qual chamas de amiga, palavra a qual carrega um valer grandioso e pouco se encontra no globo, assim como a frase universal: - Eu te amo! Que está tão sem significância aos racionais. Digo-vos, os dedos são horrendos, juntamente, com um coração em luta constante consigo, para escapar do futuro incerto, volátil, competitivo, apreensivo e trabalho mental forçado. Caro 'docente' um ser fronte os mergulhos que o piano concede numa parceria indelével, com saídas do sistema que frabrica novos escravos, na qual os cômodos se tornam mananciais, e as paredes se repitam pelo oásis do dito nome recheado de ideias e viagens, mesmo estando perante a garrafa que engana o corpo. Com as velas à mesa lendo as missivas deixadas, despertadas dentro de uma xícara de chá, em que podendo ver milhares de olhos, mas se o principal par de olhos não for degustado como um bom vinho, fica sem sentido a essência das quatro estações. O barco de mensagens sem voz ante as pétalas viçosas com incontrolável sentir no núncio de delícias, prazeres, tormentas e aflições, afinal a mala da vida é que promove a abertura dos presentes. Das ondas que batem no vidro o papel recanta a dança, e as madeixas enquanto espreitam o sol matizado na janela verde, enamora as respostas no capaz de supôr 'aquilo que um dia juraste caber dentro de mim já nem cabe sequer dentro de ti', mesmo que no bilhete não haja capítulo devido o verão devastador - o importante em nulo pautar, e as urgências prevaleçam por um protagonista transitório. E das tantas indagações, como declamado: 'a garrafa é, hoje, toda e a única realidade'.

    Abraços

    Priscila Cáliga

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  45. bem vi que escreveste com a alma e o coração. Tá magnífico!

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  46. fernand´s,
    a beleza da casca e as delícias do sumo, numa peça de fruta, só serão sentidos pelas mãos e pelos lábios que os saibam degustar. o mérito, aqui, é todo teu. cumpre-me agradecer-te a simpatia das palavras em nome duplo.
    um abraço!

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  47. laurita,
    de parcerias também tu sabes, verdade? urge reeditar a nossa a breve trecho.
    beijos e luz em todas as viagens!

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  48. sandra,
    como reisitir ao chocolate? nunca e em circunstância alguma. se associado ao beijo, então... é a desgraça total :)
    beijos... apimentados! :)

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  49. carla,
    é impossível ler os teus comentários sem esboçar, no mínimo, um sorriso. é caso para dizer: mau-olhado? exorcize-se a alma e queime-se o corpo no mais merecido auto-de-fé :). é que quebrar a cara e ainda agradecer é, no mínimo, mais doloroso do que arder nas labaredas da purificação :)
    a cris tem os seus tesouros publicados em http://tremdalira.blogspot.com
    passa lá e inebria-te. aí, sim, recomendo o uso do capacete e arnês, porque as sensações fazem-nos girar ao ritmo vertiginoso das montanhas-russas.
    beijos!

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  50. Que delícia! Que maravilha é poder chegar aqui (ou lá) e ver a minha dupla favorita de poetas a poetar... ai ai... não há felicidade maior!

    Adoro essas quatro mãos juntinhas! :)
    Beijocas nos dois!

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  51. priscila,
    a musa não está no objecto de inspiração, mas naquele que o percepciona. assim como a garrafa, que voga na inocência da maré e na inconsciência do vidro, só se torna adamastor no combate com as mãos que a recolham, com os olhos que a desnudem, com as mãos que a violem, também a inspiração é um estado de semi-consciência enclausurada nas veias circunstanciadas do arbítrio que aproximam o cão da linguiça, a linguiça da boca, a boca do beijo, o beijo do poeta, o poeta do poema e o poema do tema. tudo o mais? apenas a garrafa que é, hoje, toda e a única realidade.
    beijos!

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  52. E chocolate com pimenta então...Vixe!!!!
    Teu texto parece o longo deslizar de mãos sobre o corpo da amada, cheio de nuances e desejos, findando no mais doce gozo.
    Bjos achocolatados apimentados

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  53. Jorge,

    Esta é, sem dúvida, uma poesia que, mesmo não sabendo quando esse dia possa chegar, já plantou a semente de uma expedição a dois, que floriu por terra, mar e ar... Chegou aqui, certamente trazida pelo esvoaçar de uma borboleta :)), e poisou nas janelas dos meus olhos (que não mais serão apenas órgãos para ver), e poisou à flor da pele (que não mais será a capa que veste meu corpo), e poisou na fonte do meu coração (que será sempre o lugar onde saceio a sede da poesia...)...

    Escassas serão as minhas palavras para vos transmitir o que senti ao realizar esta viagem... não há mesmo limites no que se pode partilhar "no dia em que te der as mãos"...

    A vossa poesia é além-poesia! É mesmo um "gozo", "sem travões" ler-vos... quando dois poetas dão as mãos, de corpo e alma!

    É simplesmente uma viagem alucinante!

    Parabéns!

    Beijinhos

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  54. Jorge, perguntaste outrora se havia lido Cal de José Luís Peixoto, e digo-lhe: não! Apenas saboreei algumas letras deste escritor, e em pedaços, assim como outros autores renomados, com exceção de Lispector. Confesso que, por mais absurdo pareça, as leituras que faço são direcionadas ao campo psíquico, psiquiátrico... [neuropsicopedagogia/ desenvolvimento humano] fugindo do lírico/ poético - a labuta leva-me por esse caminho.

    Abraços

    Priscila Cáliga

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  55. Ô Jorge, é Ctrl + c e Ctrl + v, aqui o que disse por lá:

    "Dos poemas que eu pude ler da inspirada parceria de vocês, este me parece o mais belo. As mãos dadas vinculam nos corpos o longe e o perto, numa viagem que pode introverter todas as paisagens. Essas embarcações-porto nessas expedições-gozo."

    Afora isso, é dizer que adoro o Madredeus. Parece que há um defeito (há?) no vídeo que o torna visualmente expressionista no final!

    Grande abraço!

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  56. quem colecciona silêncios perante as tuas palavras cor de violeta sou eu, amiga dos silêncios.
    beijinho!

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  57. sandra, e chocolate com pimenta, então? absolutamente fã. uma curiosidade trivial: há um pequeno restaurante da minha cidade que tem uma cozinha que não é, decididamente, a que mais me seduz, mas tantas são as vezes que lá vou por causa da sua tarte de chocolate-pimenta, hihihi!
    se "viagem" é tudo o que sugeres, sempre te digo que as tuas palavras são a voz que desliza sobre ouvidos-sem-tímpano, na mais nítida experiência musical.
    um beijinho!

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  58. jb,
    sempre que por aqui pousas, leio-te, releio-te e treleio-te, ou não fossem os teus comentários novos ramos sobre uma árvore plantada. e como cada um acrescenta mais viço ao anterior...
    fã sou eu da tua escrita.
    um beijo!

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  59. priscila,
    como te entendo. há uns anos, enquanto investia numa pós graduação, fui sentindo um vazio sensitivo enorme e mais tarde, após uma reflexão séria, acabei por perceber que tal em muito se devia ao facto de estar a ser bombardeado por leituras técnicas que, por mais interessantes que fossem, não ajudavam a regar a sede de ajardinar que cada um tem, à sua maneira, dentro de si. depois das bombas, ainda havia os estilhaços, com artigos e pequenos trechos complementares. ter lido, no contexto da investigação, por sugestão do professor, luís sepúlveda ajudou-me a perceber onde residia o desequilíbrio. presentemente, seja qual for o foco do trabalho, há leituras e autores (para lá de pequenos outros prazeres) de que não abdico. em nome da lucidez emocional (possível) :)
    beijos!

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  60. "As mãos dadas vinculam nos corpos o longe e o perto"
    caro marcantónio,
    quando por cá amaras, todos os longes se fazem pertos e a distância é apenas a miragem que reverbera por detrás da íris, em faróis de mar que não se esgotam no sal.
    madredeus é um pouco de tudo o que de bom se fez musicalmente em portugal. quanto ao vídeo, é bem verdade o que dizes; suspeito que tenha sido um descendente de munch que assentou arraiais em lisboa quem esteve por detrás da sua remontagem :)
    um abraço!

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  61. Desculpa ter voltado,
    havia esquecido de comentar "la joie de vivre",
    belissima, essa tela:)
    Beijo.

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  62. poemas sonoras, imagens floridas, desejos bem gritados e por fim o doce de querer estar-se por perto

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  63. Et vive la joie de vivre!
    E ainda Teresa Salgueiro!

    No dia em que deram as mãos ... fez-se poesia.

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  64. Jorge.

    Numa manhã relendo o Mito da Caverna de Platão, que apaixonada assino, e, em viagens à busca de um livro específico, onde deparei-me com algumas letras de 'Vasco Gato' e, a frase citada me fisgou e silenciada embrenhei ante a minha face no espelho, com que as marcas no papel de escrevente anunciasse abertura das cortinas, rebobinando um trecho: 'As letras deveriam servir às ideias e não as ideias às letras e às regras gramaticais, como não poucas vezes acontece. As letras e a gramática deveriam libertar o pensamento; ser um canal de veiculação das ideias. Porém, nem sempre as frases e os textos mais compreensíveis são mais justos para expressar as ideias de um autor, embora facilitem a vida do leitor. As letras reduzem inevitavelmente as ideias; os labirintos gramaticais, às vezes, aprisionam os pensamentos. A linguagem tem um grande débito com o pensamento, principalmente com o pensamento psicológico e filosófico' Cury. Na luta diária, afinal 'quero viver e sentir as nuances, os tons e as variações das experiências físicas e mentais possíveis [impossíveis?!] de minha existência', fronte a porta da criação, mesmo que consciente do terrivelmente limitada.

    Abraço grande homem.

    Priscila Cáliga

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  65. Jorge,
    são duas mãos abençoadas que seguram a pena e encantam nossos olhos e nossas vidas!
    beijo aos dois..

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  66. Saudações Jorge,
    Moço, é de tirar o fôlego, de derreter, o que vi neste poema de você e da Cris juntos, uma linda declaração.

    E aproveitando, que estas parcerias são danadas de boas, também do poema os seis sentidos e da 'conversa' sur-realidades com Laura Alberto
    Parabéns pelas criações!!!
    E abraços

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  67. amiga-dos-encantos,
    matisse tem a luz, o desprendimento material, a essência espiritual, o belo, os sentidos e as sensações, a cor... tudo aquilo que tantas vezes abrigamos sob o chapéu de uma chuva de inverno...
    beijinho!

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  68. ediney,
    feliz por te ter por cá e, sobretudo, por ter sentido que aprovaste este exercícico a duas mãos :)
    um abraço!

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  69. ná,
    matisse e madredeus é uma combinação sempre acertada, verdade? mesmo que o texto que os acompanhe fique a anos-luz deles e, assim, os não mereça (obviamente :))
    um abraço!

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  70. amiga priscila,
    essas são as experiências com as letras que mais me surpreendem: tropeçando nelas. a descoberta faz-se com os olhos do próprio expedicionista, sem mapas, bússolas ou cartas-de-marear. e tudo quanto se recolhe é vitória e conquista neste eterno-mar-por-descobrir. assim foi, comigo, a propósito de jorge sousa braga, por exemplo.
    um abraço, imensa mulher!
    p.s. nem de propósito; hoje estive com a "alegoria da caverna" na mão (estive a espreitar, por razões profissionais, os fundamentos do romantismo; uma vez chegado lá, tive de escalar o platonismo. voilà).

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  71. vais,
    obrigado, a duas quatro vozes! (cris e minha; laura e minha) :)
    beijos!

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  72. querida ingrid,
    amiga de sensibilidade imensa, a bênção está nos olhos que lêem, no coração que sente e nos lábios que não silenciam. obrigado!

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