sábado, 22 de janeiro de 2011

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I. tese / contratese
“só para nós não morre aquilo que morre connosco”
[gabriele d’annunzio]

saibamos,
pois,
viver tudo o que ainda não nos morreu.

                                                    la coruña, espanha

II. brevidade
línguas de nevoeiro
depõem a humidade na tua janela.
boca lábios vulva
são todos os nomes que
massajam o orvalho dos lábios
agitam a pacatez do sangue
e devoram a madrugada resinosa dos pinheiros
enquanto o corpo acende em cio nómada.

na fogueira branca arde a breve eternidade.

                                                                                                        cabo da roca

III. expedição
escalei a tua morte
com versos nas cordas
e flores nas mãos;
apaguei a memória
com álcool no coração
e fumo no peito.

                                          foz do rio minho, caminha [pormenor]

IV. conjurados
caem as palavras
rompe-se o verso
perde-se a voz
estoura o peito.

e agora,
sem a ilha a boiar nos olhos,
resta-me vaguear sobre o pó
gasto pelas unhas
de um gato sem nome.

                                          foz do rio minho, caminha [pormenor]



roger waters, it's a miracle

78 comentários:

  1. Alcóol e fumo apagam memória?
    Anotada a receita.
    A partir de hoje farei-o, rs.
    Beijinhos.

    P.S.: remeteu-me ao Caio Fernando Abreu:

    "Ah, fumarás demais, beberás em excesso, aborrecerás todos os amigos com tuas histórias desesperadas, noites e noites a fio permanecerás insone, a fantasia desenfreada e o sexo em brasa, dormirás dias adentro, noites afora, faltarás ao trabalho, escreverás cartas que não serão nunca enviadas, consultarás búzios, números, cartas e astros, pensarás em fugas e suicídios em cada minuto de cada novo dia, chorarás desamparado atravessando madrugadas em tua cama vazia, não consegurás sorrir nem caminhar alheio pelas ruas sem descobrires em algum jeito alheio o jeito exato dele, em algum cheiro estranho o cheiro preciso dele(...)"

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  2. Jorge!!!
    Foz onde confluem rios e rios de inspiração, da mais absoluta, da mais autêntica!
    Só você, meu querido amigo...
    Beijos

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  3. vanessa,
    enquanto não houver chips internos passíveis de formatação ou reset, têm de ser alguns destes subterfúgios subterrâneos a tratar das maleitas da condição de se ser homem... e mulher :)
    um abraço sem álcool ou fumo!

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  4. zelita,
    as tuas palavras são a corrente que acelera o curso das águas apontando o sentido da foz. invariavelmente.
    um beijinho!

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  5. jorgíssimo, gostei de imenso desta série.
    é extenuante escalar a morte de um vivo, com álcool e fumo no coração e peito.
    sei desses assassínios (que são também uma forma de suicídio), ainda morarei no inferno por estes pecados.

    desde uma new jersey branca e fria deixo o meu abraço em brasa. abraço de amigo.

    R.

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  6. Jorge. No momento o comentário direciona-se para as águas, retornarei ao escrito no decorrer da semana.

    As imagens com falas e costuras descosturadas; o sal, o iodo, tudo líquido, que deixa por momento único incega, escorrendo com espantar de pé, fertilização.

    O insorriso primário defronte reluzir ininteligível onde se entra as mãos cheias de água. Um quarto sentido como de existência, asas com os olhos mas com a matéria, o que cabível em vela ? Os trechos no divã desmanchados, tal respirável do dizer agora ser reditas - exposto do avesso que se ignora. A máscara de escanfandrista com aquecer inteiro dos inundos salgados olhos ? O saborear do suor; pior do melhor provar das lágrimas, que se avança sobre o mar pelo meio. Das existências não humanas, espécie de avião a parte da vida que, escutar o telefone as pardes uma emoção. A esperança apresentável com encontro de mistérios ao comprimido da coragem. A relação do cheiro a vastidão do oceano, que desperta de adormedidos sonos.

    Abraços

    Priscila Cáliga

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  7. Jorge,
    tanta falta me fazem tuas etiquetas..
    a me lembrar as sensações únicas que me trazes..é ler e reler... e reler..
    e Roger Waters para completar!..
    beijos carinhosos querido poeta!

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  8. "sei desses assassínios (que são também uma forma de suicídio)"
    querido amigo roberto,
    esta tua frase é a maior das etiquetas, porque a mais pura verdade: não matarás o outro sem, com ele, morreres também. há, todavia, momentos, em que a faca de dois gumes se nos impõe como a escalada necessária, com subidas acima da dor e bem abaixo do prazer.
    um abraço desde esta braga de céu azul e sol primaveril, mas temperaturas a rondar os zero graus. vrrrrrr...

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  9. Então o que morre conosco talvez em algum momento ressuscite.

    Ando à caça das coisas que ainda não me morreram, tentando extinguir a brevidade das coisas, tentando fazê-las mais vivas e esticadas como cios que duram eras, como um corpo que queima e queima e queima a espera da grande expedição, mesmo estando em ilhas que jamais serão encontradas.

    Nossa, quão perfeitas poesias e quanta inspiração mora dentro de ti.

    És um titã de sabedorias e tens nas mãos a caixa das melhores poesias existentes no universo.

    Abraços meu querido, que tua fonte seja sempre assim: Abençoada.

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  10. Querido Poeta

    Planei no teu poema como sempre...fui ao fundo de mim...entrei no profundo de ti e senti o inferno dos poetas...encontrei-me nas tuas palavras.

    caem as palavras
    rompe-se o verso
    perde-se a voz
    estoura o peito.

    Cala-se a voz...em silêncio te li e senti.

    Beijinhos com carinho
    Sonhadora

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  11. Ah, Jorgito, a expedição colei na alma, ainda que morrendo pelos vícios, onde o principal é o de viver e mesmo que a memória me escape, meus olhos refletirão a luz nesse caminho de breve eternidade.
    Bjs com flores nas mãos, meu poeta absoluto

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  12. a tua poesia é um desses milagres que posso contemplar, poeta de epifanias

    abraço

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  13. Esplêndido, Jorge!

    Encantada e surpreendida com a tese e a antítese, comovida pela brevidade, chocada com a expedição e morta aos conjurados...

    Beijo!

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  14. Poemas, imagens, música... Vc seleciona tudo delicadamente para nos embalar nesse sonho.

    Beijo carinhoso.

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  15. Etiquetas indeléveis, que marcam a gente a ferro e fogo...

    Só você amigo! :)

    Abraço grande, e o desejo que tenhas um lindo domingo.

    Cid@

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  16. a água. diante de si, toda a brevidade esconjura a expedição humana onde a tese individual enrijece o desígnio colectivo, que petrifica, cai e se quebra, na contratese que nem a mais poética das antíteses poderia augurar.
    a água. diante de si, todo o imaginário se desenha com traços líquidos, sejam saliva, suor, sémen ou lágrimas.
    a água. alimentando o ciúme da terra.
    o elo apaziguador? a poesia.
    beijos infinitos!

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  17. ingrid,
    obrigado :)
    roger waters é um daqueles nomes incontornáveis na arte de fazer boas canções, letras excepcionais e, no seu conujunto, algumas das maiores acções de humanismo e inconformismo humano que a arte nos pode oferecer. no panorama musical, a meu ver, apenas comparável a bono.
    um beijo!
    p.s. o filme "the wall" permanece uma referência musical, visual e poético-filosófica.

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  18. jorge, meu amigo encantado
    desta vez foste tu quem pegou na minha mão, e eu não me fiz de rogada, ousei(me) e deslumbrei-me nesta viagem ao maravilhoso labirinto de ti
    não quis perder nenhum pormenor, por isso demorei tanto a chegar...
    palavras?!
    não tenho palavras que te possam comentar
    adorei esta viagem, obrigada
    beijo :)

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  19. querida janaina,
    talvez o que um dia ouse viver dentro de nós não saiba morrer. quem sabe vive mesmo para lá do corpo e da memória que um dia se extinguirá nos braços do tempo. mesmo que estando morto, já, para os que nos olham e avaliam. nesse então, as ilhas crescerão sobre línguas de areia que se desfraldam diante dos nossos pés, na mais bela península a que se possa almejar.
    beijinho com a certeza de que não há im.possíveis!

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  20. amiga do sonho,
    o inferno dos poetas é justamente essa viagem que se inicia e se completa dentro de cada um de nós. com ou sem palavras. tantas vezes no mais profundo dos silêncios. sempre de forma circular...
    beijos com carinho!

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  21. querida ira,
    talvez a chave para a serenidade existencial resida na assunção de que a eternidade seja breve, mas, ainda assim, capaz de se eternizar no instante vivencial e em todos os subsequentes instantes da memória.
    talvez... os caminhos sejam, assim, imperecivelmente mais suportáveis.
    um beijo com flores nas bermas da estrada e jarras coloridas nos pés!

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  22. assis, caro amigo-poeta,
    um abraço com admiração pelas mil e uma epifanias com que nos prendes à poesia da vida!

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  23. querida lívia,
    e eu, então? rendido à tua capacidade de juntar fios dispersos numa tecitura de um alinhavo só.
    beijos!

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  24. larinha,
    é uma questão de estar atento aos tons verbais que arrancam sons musicais e visuais. o resto: são os teus/vossos sentidos que fazem convergir num só conjunto.

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  25. amig@ cid@,
    ora aí está uma associação perfeita: ferro e fogo. a questão reside em saber se modela, se quebra.
    retribuo os votos de bom domingo. sabes, hoje por cá temos eleições presidenciais... daquelas que nos fazem pensar que temos o dever de ir votar, mas pouca convicção no gesto... ah, a política: prostitição da palavra!...
    beijinho!

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  26. amiga-dos-encantos,
    as viagens aos labirintos existenciais são como as incursões pela mitologia: quem acharemos, primeiro? o minotauro ou teseu? :)
    [quando ouso vijar até ao interior do outro quantas vezes não acabo por tocar no mais insondável de mim?...]
    beijinho com o sorriso deste sol raro de janeiro!

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  27. ...traigo
    sangre
    de
    la
    tarde
    herida
    en
    la
    mano
    y
    una
    vela
    de
    mi
    corazón
    para
    invitarte
    y
    darte
    este
    alma
    que
    viene
    para
    compartir
    contigo
    tu
    bello
    blog
    con
    un
    ramillete
    de
    oro
    y
    claveles
    dentro...


    desde mis
    HORAS ROTAS
    Y AULA DE PAZ


    COMPARTIENDO ILUSION


    CON saludos de la luna al
    reflejarse en el mar de la
    poesía...




    ESPERO SEAN DE VUESTRO AGRADO EL POST POETIZADO DE ALBATROS GLADIATOR, ACEBO CUMBRES BORRASCOSAS, ENEMIGO A LAS PUERTAS, CACHORRO, FANTASMA DE LA OPERA, BLADE RUUNER Y CHOCOLATE.

    José
    Ramón...

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  28. Viver tudo o que ainda não nos morreu. E quando morrer? Viver tudo aquilo que nos ressuscita.

    Waters!
    Espanha!

    Belo post, me lembrou alguém.

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  29. Jorge Pimenta, tu me dás asas
    meus olhos enlouquecem
    a cada monstruosidade lírica
    dos teus versos
    ...

    Carpe Diem!

    forte abraço,
    irmão.

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  30. Eu, nós. Nesse além-mar do que possa costurar com nós, provisões a ecoar pimentas em conserva, conversas pelo mar. Beijinhos, São Jorge, beijinhos.


    esse mar!!!
    ai ai...vai ver é ele que fica engulindo
    as nuvens bem no meio do teu caminho...

    e, ah,
    estou na campanha do além, buscando visitadas opiniões aqui no nichosdamortaquasemenoria.blogspot.com , onde vitrines tentam indenizar ensejos amortalhados, onde morte é como coisa vivida em finalmente arder, arder até vir a crer...

    )e o Senhor e o seu cavalo bem podiam aparecer nos meus outros espaços que ainda não foram apimentados, hã?
    larcavodica.blogspot.com
    odesimundasdoneochiqueiro.blogspot.com
    saiba que pimenta no blog dos outros é refresco!


    beijos nas pórticas letragens!


    Beijos vivos!

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  31. josé,
    como se diz em portugal, num calão refinadíssimo, "grande malha"!
    obrigado pela visita e pelas palavras!
    um abraço!

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  32. há coisas que só morrem connosco e outras, ainda, que morrem depois de morrermos. tu própria o confirmas: "lembrou-me alguém" :)
    um abraço!

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  33. domingos, camarada-amigo,
    as tuas palavras arrancam-me o maior dos arrepios poéticos.
    um forte abraço, irmão-poeta de além-mar!

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  34. lá passarei em breve, com apimentada (atchim) presença, carla. não levarei cavalo, pois sou jorge, mas não tenho espora, gládio, arnês (nem avisto dragões). ah? :)
    abraço!

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  35. Há coisas que ainda estão vivas, devendo morrer ou não. Lembrou-me alguém, mas já passou...

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  36. mas lembrou :)
    "há coisas que ainda estão vivas. devendo morrer ou não."
    beijos!

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  37. "a água, alimentando o ciúme da terra"
    ...:)

    "miríades de sons e tons"
    "trocámos uns acenos"

    :))), gosto de como te expressas :))
    é, o hedu tem uma maneira muito genuína de se dizer.
    'bigada pelo carinho
    beijos

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  38. amiga-de-encantos,
    como te dizia, já me havia anteriormente cruzado com o hedu e os seus paradoxos. gostei do que li então, mas acabámos por desligar os passos. este seu omnipoético é fantástico! permite-me transcrever aqui uma passagem de que gosto especialmente:
    "Agarrou o poema com os lábios e pronunciou beijos que nem sequer eram palavras. Endireitou a voz por dentro."
    beijos que não são palavras! :)

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  39. sua poesia vicia!

    cálices de quero mais...

    beijo, inebriante poeta.

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  40. Escalar a morte com versos e flores....uau...só você mesmo, eu cá vi a imagem e fremi, é de uma poesia reveladora. Vc é um poetaço!!!
    Beijos, Jorge.

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  41. "I. tese / contratese

    saibamos,
    pois,
    viver tudo o que ainda não nos morreu."

    Síntese: Soberbo!

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  42. as imagens vitivinícolas são sempre tentadoras, amiga. ergo desde aqui a minha taça de cris.tal e contigo brindo à poesia!
    beijo com os lábios humedecidos num excelente reserva!

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  43. taninha,
    tivesse eu em talento o que tu tens em simpatia... aí, sim, os versos erguer-se-iam acima da minha mão.
    um beijo com carinho!

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  44. sandra,
    creio bem que esse é um lema de vida. mesmo contra tantas teses...
    beijos meus!

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  45. Olá Jorge,
    lendo Expedições vi as cenas sendo projetadas diante dos olhos
    o contraste, sonhos mortos impossíveis(?) de se concretizarem, pedras concretas em cima(?),é triste saber que muitos são deste jeito mesmo, outros não, ainda se fazem bem vivos, os sonhos, vivê-los enquanto vivos
    brevidade, como diz o poeta 'que seja eterno enquanto dure'
    sabia que brevidade é o nome de uma quitanda mineira?
    Roger Waters agrado até.
    as fotos, as fotos
    putz, a primeira, é soletude purinha, demais!
    o rochedo também, muito bonitas e bem tiradas
    beijos prati

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  46. querida vais,
    não sei bem o que seja uma "quitanda" :); sei que pode significar "loja de comércio", mas questiono-me sobre se será esse o sentido que lhe tenhas querido tributar...
    as fotos são de um amadorismo puro, mas também sem pretensões. digamos que correspondem a pormenores que me chamaram a atenção. tivesse eu algumas noções técnicas mais...
    um beijinho!

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  47. nem que a gente queira matar!!!


    bjsmeus

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  48. Estava pensando amigo poeta:

    Acho que viverei até quando a poesia morar em mim, depois, se houver um branco total e a morte vier sobre minhas palavras morrerá uma poeta, viverá uma eterna encantada com a poesia... rs

    Abraços, ótima semana

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  49. nem com álcool no coração ou fumo no peito, verdade, fernand's? :)
    beijos!

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  50. duas vidas.
    duas existências.
    uma na respiração do verso; a outra na respiração dos pulmões. de comum? ambos vivem na (in)quietude do peito.
    um abraço, janaina!
    p.s. não acredito na morte antecipada do poeta face ao homem que dentro dele vive. onde começa a boca de um e de outro?...

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  51. vagueei entre as paisagens das tuas palavras, desenhei nuvens, saboreei mares, adormeci tempestades...e que à luz do sol "saibamos viver tudo o que ainda não nos morreu".

    muito belas, amigo!
    beijinho

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  52. Me perco na luz dos versos teus!!

    Parabéns

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  53. Ei Jorge,
    heheh,
    além do contratese virar contraste
    tem também uma soletude que era pra ser solitude, é tudo culpa do teclado :)

    e das quitandas, são os lugares e são as gostosuras, bolos, biscoitos, brôas, bolachas, roscas

    e das fotos, mesmo sendo de um amador com técnicas de menos, e sem babação, hehe, elas tem um toque que diferencia, "correspondem a pormenores que me chamaram a atenção"

    beijos, Jorge

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  54. amiga andy,
    belas são a tua presença e palavras.
    um beijinho com a certeza de que muito há que ainda não morreu a cada um de nós!

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  55. ju,
    e como os versos se reconstroem em luz com a tua presença...
    um beijo luminoso!

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  56. vais,
    nem me fales de teclados que já hoje andei para aqui a tentar encaixar no meu portátil uma dessas míseras (mas tão indispensáveis) pinças digitais. agrhhhh. menos mal que a tecla que se evadiu foi o "ç", o que, pela raridade com que ocorre na escrita em língua portuguesa, não torna a maleita assim tão grave. :)
    quanto às quitandas, bem me queria parecer... com doces e goluseimas, hein? nham nham :)
    sobre as fotos: gosto muito de fotografia, pelo instante e pela sensibilidade que permite captar; nem sempre a técnica é a desejada, mas quebra-se o galho. pondero, juntamente com um amigo mais experimentado do que eu, frequentar um curso; oxalá consiga.
    beijinho!

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  57. amigo Jorge, vim retocar os "acenos que trocámos" e reerguer os "rastos que acabaram perdidos..."

    um grande abraço!

    Heduardo

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  58. Olá Jorge,
    Não consigo decidir...
    Se são mais belas as palavras ou as imagens!
    Por isso,
    Parabéns pelo conjunto!

    Bjs dos Alpes

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  59. Jorge alado...

    Suponho que, a cada verso que tece, o poeta se aproxima do cume da íngrime eternidade; mas sequer ele tira os pés do chão: a eternidade é que se curva a seu tamanho...

    Beijinho de Luz...

    Beijinho de Luz!

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  60. Apagarei a memória com um bom vinho! Substituição não resolve?

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  61. hedu,
    foram encantos [:)] que nos reposicionaram no trilho certo. é um gosto reler as linhas que saltam das tuas mãos, em traços de vigor inquietante.
    um abraço!

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  62. flor-dos-alpes,
    conjunto imperfeito. meras etiquetas com alguma fotogenia :)
    beijinho!

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  63. aninha-de-luz,
    deixo-me embalar nas tuas palavras (e)ternas. já não me iludo com escaladas e descidas em montanhas que apenas existem na poesia.
    um beijinho luminoso!

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  64. michelle,
    as chaves estão dentro de cada um de nós. mas admito que um bom vinho sempre ajude :)
    beijinho!

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  65. A primeira frase que li lembrou-me, uma vez mais, o Manifesto Anti-Dantas, do Negreiros.
    Por isso morra o Dantas, morra, PIM!
    Agita-te!
    Uma tempestade!
    Laura

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  66. Basta pum basta!!!

    Uma geração que consente deixar-se representar por um Dantas é uma geração que nunca o foi. É um coio d'indigentes, d'indignos e de cegos! É uma resma de charlatães e de vendidos, e só pode parir abaixo de zero!

    Abaixo a geração!

    Morra o Dantas, morra! Pim!

    Uma geração com um Dantas a cavalo é um burro impotente!

    Uma geração com um Dantas ao leme é uma canoa em seco!

    O Dantas é um cigano!

    O Dantas é meio cigano!

    O Dantas saberá gramática, saberá sintaxe, saberá medicina, saberá fazer ceias pra cardeais, saberá tudo menos escrever que é a única coisa que ele faz!

    O Dantas pesca tanto de poesia que até faz sonetos com ligas de duquesas!

    O Dantas é um habilidoso!

    O Dantas veste-se mal!

    O Dantas usa ceroulas de malha!

    O Dantas especula e inocula os concubinos!

    O Dantas é Dantas!

    O Dantas é Júlio!

    Morra o Dantas, morra! Pim!

    O Dantas fez uma soror Mariana que tanto o podia ser como a soror Inês ou a Inês de Castro, ou a Leonor Teles, ou o Mestre d'Avis, ou a Dona Constança, ou a Nau Catrineta, ou a Maria Rapaz!

    E o Dantas teve claque! E o Dantas teve palmas! E o Dantas agradeceu!

    O Dantas é um ciganão!

    Não é preciso ir pró Rossio pra se ser pantomineiro, basta ser-se pantomineiro!

    Não é preciso disfarçar-se pra se ser salteador, basta escrever como o Dantas! Basta não ter escrúpulos nem morais, nem artísticos, nem humanos! Basta andar com as modas, com as políticas e com as opiniões! Basta usar o tal sorrisinho, basta ser muito delicado, e usar coco e olhos meigos! Basta ser Judas! Basta ser Dantas!

    Morra o Dantas, morra! Pim!

    O Dantas nasceu para provar que nem todos os que escrevem sabem escrever!

    O Dantas é um autómato que deita pra fora o que a gente já sabe o que vai sair... Mas é preciso deitar dinheiro!

    O Dantas é um soneto dele-próprio!

    O Dantas em génio nem chega a pólvora seca e em talento é pim-pam-pum.

    O Dantas nu é horroroso!

    O Dantas cheira mal da boca!

    Morra o Dantas, morra! Pim!

    O Dantas é o escárnio da consciência!

    Se o Dantas é português eu quero ser espanhol!

    O Dantas é a vergonha da intelectualidade portuguesa!

    O Dantas é a meta da decadência mental!

    E ainda há quem não core quando diz admirar o Dantas!

    E ainda há quem lhe estenda a mão!

    E quem lhe lave a roupa!

    E quem tenha dó do Dantas!

    E ainda há quem duvide que o Dantas não vale nada, e que não sabe nada, e que nem é inteligente, nem decente, nem zero!

    que saudades dos tempos em que lia isto em voz alta, a fazer cara de mau, enquanto na minha imaginação se erguia um figurão mental mais feio do que judas... depois cresci...
    beijos, amiga!

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  67. Aqui tudo é encantador...Instigante.Adorei teu espaço.Grande abraço.Passa no Escrevência.

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  68. carla, obrigado.
    passo, sim. aliás, rectifico: a esta hora, já passei. e fiz stop[a]. (para ficar) :)
    beijos!

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  69. :)!!!
    pois podes acreditar, esse é o texto que eu vou ler no sarau da escola...
    MORRA O DANTAS, MORRA!
    PIM!
    Beijo
    Laura

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  70. morra, pois.
    pim!
    pum!
    bang!
    fodeu-se :)
    beijos!

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  71. Jorge,

    As águas tomam-nos como ondas, tão gigantes e intensas que vivê-las na sua brevidade é a única forma de sobreviver ao agitar do sangue que nos é fogo nas veias. Desconheço o líquido que apague a memória do aroma (que vagueia nas cordas sustidas pelo ar)escalado com flores e versos…
    Ainda que esse fogo fosse atenuado ficaria sempre o pó (que as unhas rasgaram da terra)...

    Etiquetas que nos oferecem a união dos quatro elementos espelhados num só corpo - onde habita o Homem, onde flutua a tua poesia e onde os meus olhos ficam a “boiar " numa viagem onde sentimos o desejo de “viver tudo o que ainda não morreu”.

    Já o disse e volto a repetir... adoro "escalar" nestas tuas etiquetas, é como se a alma se desprendesse e ficasse suspensa nos mais belos elementos naturais, da vida, da tua escrita...

    Um grande beijinho!

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  72. amiga jb,
    quem escala sensações do mais fino quilate sou eu sempre que me visitas e invariavelmente depões a mais cândida poesia sobre versos que foram arrancados ao vento, num dia em que ainda sonhava com os recortes fotográficos do im.possível.
    um agradecimento a solfejar do peito!

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  73. muuuuuito interessante.

    aliás, várias coisas por aqui; estou conhecendo,
    ainda.

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  74. priscila,
    é um gosto ter-te- por cá. sente-te em casa.
    beijos!

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  75. preciso de um desses artifícios para a memória

    :)

    beijo

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  76. não há à venda em farmácias, luíza, hehe!
    beijinho!

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  77. Jorge Pimenta.
    Meu tão querido Jorginho,
    Obrigada por tudo que aqui leio e ouço. E, principalmente, por tudo que aqui sinto. São viagens que faço com o coração nas mãos. Onde ele é acarinhado, cuidado, mas também exposto ao delírio e aos vícios que o tornam tão humano quanto possível (tão sensível à palavra e aos sentidos). Tens a poesia na veia e a tinta que sai dos teus dedos pinta quadros na minha retina.

    Obrigada mesmo.
    P.S. Ouço muito o Tindersticks, consequentemente, lembro muito de ti.

    Beijinhos ainda com muita saudade.

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  78. querida adriana,
    estas viagens completam-se não em caminhos referenciais, mas nos trilhos verbais que aqui e aí rasgamos a diferentes pés, passos, mãos e vozes. e, mesmo que na ilusão da metáfora, sinto que o corpo e o espírito convergem ora para a interioridade, ora para a pluralidade que o tornam - como a poesia - universal. e contigo cresço. e convosco me torno maior.
    obrigado!
    um beijo com o pólen musical de tindersticks :)

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