sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

etiquetas XVII

bill brandt

I. mil e uma íris para a contemplação da aurora

[dedicado ao poeta Assis de Freitas]

és tu a voz
de todos os animais-escravos
que respiram no interior das palavras.
entre ausências
sementes nos horizontes
e sílabas de urgências:
é sempre pelos dedos que costuras o coração.


II. imagens fixas: rostos e versos
debaixo das estrelas
escondem-se todas as noites:
apascentam códigos
acariciam palavras
idolatram bocas,
sempre em voz seca
porque a tinta marca mais o rosto do homem
do que os contornos do poema.


III. poeta
olhos líquidos
incêndios mudos
e nas veias perdidas, já sem fôlego,
todos os poemas coagulados.

são assim os corpos à tona da morte.


IV. polos e extravios
seguro o teu olhar numa mão
e a tristeza na outra.




40 comentários:

  1. Todos são muito belos, contudo o quarto foi o melhor deles!

    Olhares e tristezas...

    Muita paz!

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  2. Assis merece! Poema que expressa o ser poeta, o ser Assis nas retinas maravilhosas de nada mais nada menos que Jorge! Grande!

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  3. Quatro quadros, uma pena, várias tintas, palavras (sempre as palavras) e uma mais do que merecida homenagem. Não há como destacar uma pérola sem que se desfaça o colar. Belíssimos, meu amigo.

    Grande abraço!

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  4. "e nas veias perdidas, já sem fôlego,
    todos os poemas coagulados."

    poemas coagulados sempre à espera de uma sangria...

    Belíssimas etiquetas, Jorge meu amigo!

    Beijinho de fã!

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  5. Belíssimo poema Jorge!

    Fico aqui buscando o verso mais bonito...

    Todos tão lindos!
    Mas fico com estes: ("costurou" meu coração)

    "entre ausências sementes nos horizontes e sílabas de urgências:é sempre pelos dedos que costuras o coração."

    Beijos!

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  6. Que lindos, Jorge!
    E o último ainda me parece mais belo!
    Assis é mesmo belo.
    Bjos!

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  7. Só você conseguiria homenagear o poeta com tanta realeza.

    Belo demais, Mas Assis merece TUDO!

    Beijos

    Mirze

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  8. Seguro teu olhar numa mão e a tristeza na outra...
    É bem assim que ando.
    Tudo aqui é tão lindo, tão forte.
    Bjos achocolatados amigo e um ano novo pleno de coisas gostosas.

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  9. Jorge,
    Cada quadro uma forma linda de dizer coisas simples de forma tão lírica.
    Homenagem maravilhosa e se o poeta Assis de Freitas escreve assim "é sempre pelos dedos que costuras o coração". Diria que pelos dedos você encanta-nos com os teus versos.
    Beijokas doces e bom fim de semana!

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  10. Obrigada pelas palavras lindas e carinho tarsnportado em palavras...é bom tb vir aqui! bjs

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  11. Jorge, querido PoetAmigo!
    O homem é um ser em constante estado de Poesia.
    Se observamos com cuidado, existe Poesia em praticamente tudo:
    no prazer, na dor, até no café recém passado, que nos envolve com o aroma e o carinho azulado da fumaça feito guirlandas.

    Mas SER Poeta é para poucos.
    Para aqueles que comungam de seus escritos como quem dividisse uma taça de bom vinho, produzido, maturado e doado ao leitor, que completará com seu paladar: o estreito espaço entre as palavras e o coração.

    Linda homenagem ao Assis.
    De poeta para poeta, sublime!

    Beijos!

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  12. Jorgíssimo
    Linda homenagem
    Dizer que gostei é muito pouco. Deliciei-me.
    ..É sempre pelos dedos que costura o coração
    ...porque a tinta marca mais o rosto do homem do que os contornos do poema. E seus poemas são dignos de uma edição de livros, muitos livros.
    E Toranja eu não conhecia. Amei. Nas suas canções a suavidade melancólica da poesia

    Beijussss

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  13. ainda estou banhado em espanto e sobressalto, as retinas pulsam ante as imagens e tomo-me de impulsos por essa sagração de palavras,


    abraço desse amigo comovido

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  14. Belíssimo poema. Merecidíssima homenagem.

    Abç fraterno.

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  15. Do simples mortal, que multipliquem-se as 1001 íris, para que a aurora (existente para contemplações) não se desmanche em saudade e morra nos dedos com articulações douradas.
    Jorgito, meu amigo dulcíssimo, sob todas as faces do poeta, essa, a da generosidade, sempre será sua assinatura.
    Minha admiração, sempre, a tua poesia e tuas ofertas.
    bj imenso

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  16. Jorge, meu querido amigo, grande poeta

    Eis aqui,de volta, a amiga a quem nunca falta desejo de visitar-te e comentar, mas que, em verdade, tem sido vítima deste cruel Blogger.
    Hoje pedi a um técnico que mexesse, trocasse o provedor, investigasse virus,etc.
    Parece que está dando certo...
    Bem, difícil seria escolher um dos poemas,dedicados ao nosso querido Assis. Todos belíssimos!

    Abraço bem forte da
    Zélia

    Em tempo: Que 2012 seja um ano excepcionalmente bom para ti, querido!

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  17. Mil e um laços de amizade coroados pelo poema.
    Mil e uma viagens de luz e sombra que a alma não é pequena.

    Milhar de ternuras
    beijinho de Feliz 2012!

    :-)

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  18. Jorge, que lindo de vocês
    maravilha de poetas você e o Assis
    moços que sabem tão bem compor, decompor e em palavras formarem versos carregados de imagens e sentidos que sempre tocam

    parabéns e beijos para os dois!

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  19. que alegria retornar e me deparar com tuas etiquetas..
    e ainda homenageando nosso poeta amado..
    íris de ver.. imagens ,rostos e versos..
    de sentir tua sensibilidade e encantar-se..
    saudades daqui e de ti..
    beijos perfumados para um 2012 maravilhoso querido Jorge..

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  20. Jorge, sempre gosto tanto das tuas etiquetas...

    "1001 íris" é perfeito, imenso como os dois poetas.

    "polos e extravios" grudou em mim... (e se os olhos forem tristes?)

    beijo imenso, amigo querido!

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  21. Jorginho meu amigo portuga! E aí tudo bem? Como passou o final de ano? Espero que muito feliz!

    Rapaz... Fiquei até sem palavras e sem fôlego! Mais um daqueles poemas dignos de muitas e muitas lidas!

    Parabens!

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  22. "seguro o teu olhar numa mão e a tristeza na outra"
    belíssimo amigo, como sempre! :-)
    beijinhos e saudades
    p.s. entretanto o lua fez 3 anos, e prolongo até aqui o meu imenso obrigada por tudo!

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  23. Coração alinhavando coração - as mãos, meros instrumentos, teus, do Assis. Os versos, o poeta, líquidos incêndios em olhos mudos. Dono do tempo - em sol e chuva - íris arqueadas na busca por preciosidades. Vocês são assim, multicoloridos... por todas as cores, por afeto, por amar elo, apenas.
    Mas que bela etiqueta, Jorge, homenagem sensível e bonita! Deixo abração pros dois.

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  24. Fez uma bela homenagem, e está sempre a merecer afagos. Sensibilidade e talento nunca faltam nesse espaço, o que torna as visitas ocasiões especiais.

    Bjs.

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  25. Uma homenagem de poeta para poeta, não conheço o Assis de Freitas, mas com certeza ele deve ter ficado super emocionado com um poema de alto nível como esse, lindo e profundo como sempre Jorge, admiro a poesia, já tentei até enveredar por esta senda, mas confesso que é um terreno onde poucos privilegiados põem os pés, e você é um desses privilegiados, e o Assis também, claro. Parabéns por mais uma bela criação e um grande abraço pra ti.

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  26. ..e debaixo dos poemas este mistério
    Palavras idolatradas a desnorte das bocas
    vividas na vontade gigantesca de dizer coisas…
    Acrescentam-se então os códigos
    e os bocados de lábios…
    ...idolatradas estão agora as marcas: o timbre
    como se fossem as primeiras palavras a serem ditas…

    Amei Poeta discorrer ao som dos Toranja…
    Amei igualmente a referência poética

    Abraço-te muito daqui
    Assiria

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  27. Querido Poeta

    Teceste palavras...esculpiste sentimentos...desenhaste um abraço poético.
    Como sempre sublimaste a emoção...e deixaste-me em silêncio.

    Beijinhos com carinho
    Sonhadora

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  28. Jorge, belo contemplar o dedicar-se ao outro. [Não conheço esse poeta, como o encontro?)


    és tu Jorge a voz majestosa
    de todos se faz pequeno para outros brilharem
    que respira no profundo das palavras
    entre luas,
    abismo,
    animais...
    o que semeia nos horizontes
    as sílabas importantes:
    e é sempre pela escrita única que costuras o coração,
    o ser mestre na arte.

    Abtaços,
    Priscila Cáliga

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  29. É Jorge, inquietante é voz que por dentro sufocamos. Tornamos negligentes quanto os diamantes que estão nos lugares improváveis. Há muito o focar do ser-se vitrine, agradar olhares, que abdicar as sementes é natural. Repenso ao mais, a falsidade que veste a todos nós. Matamo-nos a todo momento e ao outro. Guiamo-nos por miragens, bem como alimentamo-nos com superficialidade. Infelizmente, muito pouco permitimos os diamantes sobressairem nas pedras. E a nos ensinar o quanto valioso, e inteiro é ser-se a lua nua, o que não é dito acadêmico. Assim, a olharmos com mais zelo todas as esferas.

    Abraço,
    Priscila Cáliga

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  30. olhos líquidos incêndios mudos e e nas veias perdidas, já sem fôlego,todos os poemas coagulados.

    Jorginho, belíssimo! Assis: vc merece esse presentão, que aqui é de poetaço para poetaço!

    Beijos,

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  31. As várias sequências no exigem uma pausa para meditação. Mas como sempre belíssimo...e a morte ...sim está presente, como está presente no nosso viver!

    Desulpa o meu atrsaso em retribuir as viaitas...isto por aqui anda complicado!

    Um dia explico....

    Um beijo, meu bom amigo...
    BShell

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  32. Dá gosto ver como é querido o Assis, não é mesmo?
    Além de querido poeta, inspirador como poucos.

    Beijo beijo, Jorge.

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  33. Passando pra te desejar dias de luz...Nada de sombras...Bjos achocolatados

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  34. Querido amigo,

    Depois de uma pausa, eis que estou de volta. Espero sua visita em meu blog. Bjo!

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  35. Olá, dear Jorge Pimenta!

    É um axioma dizer que seus poemas são belos - é de uma fluidez que não há palavras para descrever. Seria uma música, ou uma onda do mar? Sinceramente, ao ler seu trabalho, é como se eu escutasse o bater da água nas rochas da beira-mar.

    T.S. Frank
    www.cafequenteesherlock.blogspot.com

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  36. "és tu a voz
    de todos os animais-escravos
    que respiram no interior das palavras."

    tu e Assis!... [in]comentáveis mas... senti[veis] :))
    imagem, poemas e laços...
    ficam e ficam e ficam...
    carinho lindissimo ao poeta Assis.
    beijo aos dois :)

    e:
    "E não é com certeza
    relevante este brilhante aqui:
    poeira de diamante que encontrei
    pelo verso e por acaso, poema
    muito breve e muito raso,
    que (aproveitando) trago para ti."
    (ana luisa amaral)

    beijo, encanto.

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  37. Obrigada pelos cumprimentos. Suas visitas são motivos de festa, porque o talento está nesse seu espaço.

    Bjs.

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  38. Lindíssimo. Os dois últimos versos então são de cortar o ar e encher o coração de fogo. Bela homenagem!
    Beijinhos

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  39. Gostei muito do poema, Jorge. E destes versos em particular:
    «seguro o teu olhar numa mão
    e a tristeza na outra.»
    Também gostei de ler "isto": http://blogues.publico.pt/ciberescritas/2012/01/09/599poemas-ja-esta-disponivel-para-iphone-e-ipod-touch/
    Beijinho.

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